quarta-feira, 21 de junho de 2017

Machado de Assis em foto sobre abolição da escravatura




Hoje, 21 de junho, 
aniversário de Machado de Assis. 
Faria 178 anos.


E o RIO QUE MORA NO MAR comemora com uma foto rara e descoberta recentemente.

Em 17 de maio de 1888 aconteceu em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, a missa em Ação de Graças pela Abolição da Escravatura. O evento aconteceu quatro dias após a Princesa Isabel assinar a Lei Áurea. Cerca de 30 mil pessoas participaram dessa missa e, entre negros, intelectuais, jornalistas e representantes do império e da igreja estava... MACHADO DE ASSIS.

A fotografia é um documento histórico e faz parte da coleção do Instituto Moreira Salles. Foi registrada por Antonio Luiz Ferreira, que, de posição privilegiada, conseguiu uma visão panorâmica e registrou o momento.






Nesta imagem da missa, aparecem princesa Isabel, conde D Eu (ao fundo), Machado de Assis (no canto direito, o segundo de baixo para cima)


Machado de Assis era abolicionista e criticou em diversas de suas obras o regime escravocrata.

A foto mostra também a importância de Machado perante a sociedade da época, sua posição junto à realeza brasileira, e ao lado de importantes figuras políticas e da igreja. Além da já mencionada posição do escritor contra o regime de escravidão.





sexta-feira, 16 de junho de 2017

Avenida Chile que surgia há 50 anos, em 1967






recorte do jornal O GLOBO de 17 de junho de 1967.
Clique nas imagens para ampliar.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Roupa Nova, banda carioca nascida nos anos 80

Sucesso de 1987,
há 30 anos,
VOLTA PRA MIM
pra recordar e ouvir!




sexta-feira, 9 de junho de 2017

ACONTECEU...entre os postos 5 e 6 de Copacabana


Notícia há 70 anos
nos dá conta de
ataque de tubarão em...
Copacabana!




Imagem relacionada

Varanda do Hotel Regente, em Copacabana, em frente ao local do fato.(1947)




domingo, 4 de junho de 2017

Crônicas Cariocas de Todos os Tempos


Resultado de imagem para carlos d rummond de andradeFala, amendoeira
Carlos Drummond de Andrade - 1957, há 60 anos.

     "Esse ofício de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à natureza - essa natureza que não presta atenção em nós. Abrindo a janela matinal, o cronista reparou no firmamento, que seria de uma safira impecável se não houvesse a longa barra de névoa a toldar a linha entre o céu e o chão - névoa baixa e seca, hostil aos aviões. Pousou a vista, depois, nas árvores que algum remoto prefeito deu à rua, e que ainda ninguém se lembrou de arrancar, talvez porque haja outras destruições mais urgentes. Estavam todas verdes, menos uma. Uma que, precisamente, lá está plantada em frente à porta, companheira mais chegada de um homem e sua vida, espécie de anjo vegetal proposto ao seu destino.

Essa árvore de certo modo incorporada aos bens pessoais, alguns fios eléctricos lhe atravessam a fronde, sem que a molestem, e a luz crua do projetor, a dois passos, a impediria talvez de dormir, se ela fosse mais nova. Às terças, pela manhã, o feirante nela encosta sua barraca, e ao entardecer, cada dia, garotos procuram subir-lhe o tronco. Nenhum desses incômodos lhe afeta a placidez de árvore madura e magra, que já viu muita chuva, muito cortejo de casamento, muitos enterros, e serve há longos anos à necessidade de sombra que têm os amantes de rua, e mesmo a outras precisões mais humildes de cãezinhos transeuntes.

Todas estavam ainda verdes, mas essa ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas de vermelho, gradação fantasista que chegava mesmo até o marrom - cor final de decomposição, depois a qual as folhas caem. Pequenas amêndoas atestavam o seu esforço, e também elas se preparavam para ganhar coloração dourada e, por sua vez, completado o ciclo, tombar sobre o meio-fio, se não as colhe algum moleque apreciador do seu azedinho. E como o cronista lhe perguntasse - fala, amendoeira - por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares, a árvore pareceu explicar-lhe:

- Não vês? Começo a outonear. É 21 de Março, data em que as folhinhas assinalam o equinócio do outono.Cumpro meu dever de árvore, embora minhas irmãs não respeitem as estações.

- E vais outoneando sozinha?

- Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado, e, como deves notar, trago comigo um resto de verão, uma antecipação de primavera e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me fustiga pela madrugada, uma suspeita de inverno.

- Somos todos assim.

- Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal, meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: são frutos colhidos numa hora da vida que já não é clara, mas ainda não se dilui em treva. Repara que o outono é mais estação da alma que da natureza.

- Não me entristeças.

- Não, querido, sou tua árvore-da-guarda e simbolizo teu outono pessoal. Quero apenas que te outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá às frutas seu definitivo sabor. As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso: parábolas, ritmos, tons suaves... Outoniza-te com dignidade, meu velho."