sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Complexo do Alemão, o início de uma história

Os tristes episódios desse final de novembro, na Vila Cruzeiro, expondo a ferida latente da marginalidade na cidade, nessa favela da Penha - Penha significa pedra -  subúrbio carioca, dá vontade de saber a origem dessa região.

O Complexo do Alemão abrange os bairros da Penha, Olaria, Ramos, Bonsucesso e Inhaúma e possui 12 comunidades.

São elas: Morro da Baiana, Morro do Alemão, Alvorada, Matinha, Morro dos Mineiros, Nova Brasília, Pedra do Sapo, Palmeiras, Fazendinha, Grota, Vila Cruzeiro e Morro do Adeus

O seu núcleo é o Morro do Alemão, cuja denominação foi adotada para todas as áreas adjacentes, as quais integram o  Complexo e localizado nas terras da Serra da Misericórdia.

A Serra da Misericórdia é uma formação geológica de morros e nascentes naturais, quase toda destruída pela construção do Complexo, mas ainda assim, a última área verde da Leopoldina. É um território de 43,9Km2, localiza-se numa faixa de planície entre a Baía de Guanabara e parte do Maciço da Carioca, sendo entrecortada pela Ferrovia da Leopoldina.

Desde o século XVII servia como divisor entre as importantes freguesias rurais de lnhaúma e Irajá, que mais tarde se converteram em freguesias urbanas e finalmente em bairros da cidade do Rio de Janeiro. Restam nela poucas áreas verdes  e alguns pontos de nascentes de rios que são usados como fonte de água pela população. Uma pena que logo após a nascente, os rios já se tornem valões de esgoto. A Pedra da Penha e a Pedra Bicuda ainda resistem. A primeira por abrigar a Igreja da Penha, e a segunda por obra e graça da sociedade civil organizada.

Também, boa parte da serra foi destruída devido às pedreiras, muito comuns na segunda metade do século XX, hoje proibidas na região, considerada Área de Proteção Ambiental, embora subsistam algumas ilegamente.

A história do  nome ALEMÃO remonta à década de 20  - do século XX - , no período após a 1ª Guerra Mundial, quando um imigrante de origem polonesa, Leonard Kaczmarkiewicz, chegou ao Rio de Janeiro e adquiriu terras na Serra da Misericórdia, que correspondia à região rural da Zona da Leopoldina. Até o final da década de 40, essa área tinha esta vocação rural.

Branco, alto, sotaque estrangeiro, faziam com que os moradores da região passassem a se referir ao proprietário da fazenda, Leonard Kaczmarkiewicz, como o "alemão". E,  a localidade como "Morro do Alemão".

A partir de 1951, Kaczmarkiewicz resolveu dividir o seu terreno em lotes e  vendê-los. Famílias que buscavam moradias baratas na Zona Norte, ali se instalaram e  na década de 60, um grande fluxo de migrantes nordestinos se fixou no local.

Uma nobreza esquecida

Em meio a casebres na Favela da Fazendinha, em Inhaúma, no Complexo do Alemão, um casarão antigo se destaca.  Segundo o historiador Milton Teixeira  ele foi construído no início do século XX.

Típico chalé suburbano, provavelmente parte de uma chácara, hoje desmembrada, nela, morou a viscondessa de Embaré -  Josefina Carvalhais Ferreira -  viúva de Antônio Ferreira da Silva, o visconde de Embaré.
A casa é o último resquício do passado no Alemão, onde Josefina morreu na primeira década do século XX, com cerca de 80 anos. Mas ainda em vida, a viscondessa doou os bens da família, em Santos (onde o marido havia nascido) e no Rio, para caridade.

No casarão, no Alemão, funciona a Associação Mantenedora Casa Nossa Senhora de Piedade e permanece a maior parte do tempo fechado e por vezes abriga eventos comunitários, como festas juninas. No seu jardim maltratado, há uma imagem da santa que dá nome à associação.

Os moradores mais antigos sempre aprenderam que  Carlota Joaquina, mulher de dom João, morou na casa. A informação até hoje não encontrou confirmação histórica. Quem sabe?

A ignorância sobre a história do local - mais uma vez culpa da falta de respeito e preservação da memória -  faz com que os moradores da comunidade digam que o imóvel é mal-assombrado. Eles  o chamam de asilo, porque já foi usado como abrigo para idosos.

Foto Marcos Tristão_GloboOnline/ reprodução
 

A Vila Cruzeiro

A sua ocupação se deu, no final do século XIX, com escravos fugidos, que tinham a proteção do Padre Ricardo, que era republicano e abolicionista.

Ele os abrigava em sua casa, e depois passaram a ocupar o morro. Sendo assim, o lugar ficou conhecido como Quilombo da Penha

A Penha, ainda com características rurais 


A Vila Cruzeiro início da ocupação

Nos anos 80, o número da população aumentou de forma bastante significativa, na localidade, em decorrência das invasões que ocorreram, autorizadas pelo então Governador do estado do Rio de Janeiro, o funesto Leonel Brizola. E junto, como toda herança deixada por esse lamentável (des)governo, a desordem, o descaso, a falta de infraestrutura, que se seguiram nos governos seguintes de seus herdeiros políticos, igualmente populistas e incapazes, forasteiros, de outras terras.

Trinta anos de gente descomprometida com a realidade carioca. Com o amor a essa terra.

NOVOS TEMPOS! SEJAM BEM-VINDOS!




quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Esse fim de semana tem Feira da Providência...

atualizado em NOV2017



... e é a de número 50, nesse ano de 2010.

A primeira Feira da Providência foi no Piraquê.1961. Quem lembra?

Primeiro cartaz

Em 62, na Sociedade Hípica Brasileira. Nessa, EU FUI!



E também estive em  63,  no Iate Clube do Rio de Janeiro, e em 64, no Parque Lage. A cada ano o local crescia e a feira ficava cada vez mais entupida.

De 65 a 77 , a feira aconteceu na avenida Borges de Medeiros, onde era o maior barato!

O footing na orla da Lagoa, os importados tão inacessíveis e cobiçados que provocavam empurrões. Ah! o chocolate belga ... quanta fila... Tempos românticos, de quando se fechava a Lagoa por 3 dias. Nos dias atuais, nem pensar.

Saudades... 


Cartaz da primeira Feira da Providência na Lagoa, em 65



Desde 1978, a feira é realizada no RioCentro.
Uma pena.
Mas a finalidade da feira continua bonita, grandiosa e nobre,
como sonhou D. Helder Câmara.


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A última Feira da Providência, que se despediu da Zona Sul, foi em 1977.
Quem ia por lá todos os anos, sabe que era muito bom!



quarta-feira, 24 de novembro de 2010

E por falar em casas...

O casario do posto Seis, em Copacabana, nas lentes de Augusto Malta.
Em destaque a avenida N S de Copacabana com terrenos vazios.


Reprodução
 
 
 
 

sábado, 20 de novembro de 2010

As últimas casas do Leblon

Uma das últimas casas das quadras paralelas à Praia do Leblon vai ao chão em breve para dar lugar a mais um prédio de apartamentos de alto padrão.

Localizado na Rua José Linhares 21, o imóvel de dois andares e subsolo foi vendido há três meses à construtora Concal, que pretende erguer no local um empreendimento com três apartamentos - dois duplex e um triplex.

( Foto: Marcelo Piu - O Globo) 

Fora do perímetro da Área de Proteção ao Ambiente Cultural (Apac) do Leblon e a poucos metros da orla, a casa, erguida num terreno de cerca de 200 metros quadrados, foi negociada numa transação milionária, cujos valores são guardados a sete chaves pela construtora.(*) Batizado de Conde San Remo, o novo prédio já teve as unidades vendidas - por valores variando entre R$ 4,5 milhões e R$ 6,5 milhões - antes mesmo de o imóvel ser demolido.


A  casa pertencia ao jornalista Ricardo Boechat ( na foto toda pichada) e  o prédio, a ser construído, terá 25 metros de altura - o máximo permitido para a rua pelo Plano de Estruturação Urbana (PEU) do Leblon. Os apartamentos terão entre 195 e 321 metros quadrados e pelo menos duas vagas de garagem cada um.

Casas fora da Apac são cobiçadas por construtoras

As casas da praia ou próximas a ela não são os únicos alvos do mercado imobiliário no Leblon. Com os espaços para construção ficando cada vez mais escassos no bairro, os olhos das construtoras têm se voltado aos pequenos prédios não protegidos pela Apac. De acordo com o presidente da Concal, de 50 a 60 pequenos imóveis multifamiliares são considerados hoje potenciais negócios futuros. Eles reúnem condições favoráveis por não contarem com garagens ou elevadores, acumularem problemas de conservação ou dívidas em tributos ou terem proprietários mais permeáveis a negociações. Só a Concal ergue no momento cinco obras na área, sendo quatro no Leblon e uma em Ipanema. E está em negociação avançada com os donos de outros três imóveis.

- Essas cinco obras estão totalmente vendidas antes de estarem prontas. Para cada unidade construída hoje no Leblon, temos uma lista de espera de três pessoas - diz Caldas.

Raridades no bairro, poucas casas ainda resistem aos apelos do mercado imobiliário.

Com a iminente demolição na José Linhares 21, restarão ainda, nas quadras da praia, um conjunto de três casas: na esquina das ruas Rainha Guilhermina e General San Martin, duas delas ocupadas por empreendimentos comerciais; uma na Rua Aristides Espíndola 19, onde funciona o tradicional restaurante Antiquarius; dois imóveis geminados na Avenida Delfim Moreira; e as casas de vila da Rua Leblon.

FONTE: OGlobo Online


(*) Um adendo:não saiu por menos de R$ 5 milhões, pelos preços de mercado

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Comida carioca


Os pratos típicos cariocas, influência  da colonização portuguesa  estão sumindo dos nossos restaurantes. Infelizmente. O fast food, cardápios europeus e orientais são facilmente encontrados no Rio. No entanto, o gosto das nossas tradições lusas, das receitas dos nossos antepassados estão sumidos.
Como é difícil encontrar uma boa rabada, língua ensopada, bife de fígado, sardinhas fritas, ensopadinhos, picadinhos, dobradinha, mocotó, bife de panela,...

Nada contra kebabs, temakis, yaki, wok (sobas) , hots, shakes, burguers, e outras diversas opções. Mas perde-se a tradição dos sabores de 445 anos de história. Sabores nos dias de hoje muito escassos, principalmente pela  morte de estabelecimentos centenários, como um Penafiel -   e sua deliciosa gastronomia portuguesa -  que não se sustentaram aos modismos.

Atualmente, estão querendo tombar a culinária francesa como Patrimônio Imaterial da Humanidade. E com razão, pois as tradições dos paladares, da mesa, mostram muito bem a história de um lugar.

Muitos da cidade ou que vêm à cidade não comem mais ou nunca comeram, provaram ou sequer ouviram falar dessas delícias, que hoje só existem nas mesas de famílias, que preservam as receitas das vovós. Algumas iguarias ainda resistem em cardápios de poucos bares e restaurantes tradicionais da cidade, como o Lamas no Flamengo, ou o Bar Brasil, o Bar Luiz, e o Nova Capela no Centro.

Uma pena...

Mas pra quem provou e ainda come... vai aí um ensopadinho de chuchu com camarão?



Que tal? Hummmmmm.....

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Anos 70

Os anos 70 marcaram várias modificações no Rio de Janeiro , e em seus costumes, que definiriam uma nova cidade.

Muito do traçado carioca foi alterado, como a duplicação da Avenida Atlântica, um novo acesso à Barra, o Túnel sob o Joá - veja no post - ;  a ponte Rio-Niterói, o início das obras de construção do metrô, o aparecimento das passarelas, a invasão dos fuscas, o aparecimento dos shoppings, a ousadia nas praias com o surgimento da tanga.

Mas muitas idéias não sairam do sonho. Veja só a imagem abaixo.

A foto montagem ,ao lado,  de 40 anos atrás,  revela projetos que nunca se concretizaram.

(Clique na foto pra vê-la maior)


Na foto, à esquerda, a Igreja de Santa Terezinha do Menino Jesus, à entrada do Túnel Novo e a seu lado o terreno vazio, onde mais tarde se reergueria o Shopping RioSul. À direita, dois túneis, ladeando a Ladeira do Leme, que nunca foram abertos.

Que tal? Você soube disso?


sábado, 13 de novembro de 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Tunel do Joá


Essa foto de 1970 mostra a construção do Tunel do Joá, e o elevado de acesso.
Essa opção de chegada à Barra da Tijuca e zona Oeste tão utilizada nos dias atuais foi grande novidade há 40 anos.

sábado, 6 de novembro de 2010

Samba Carioca

Foi em um dia 6 de novembro, em 1916 - há 94 anos -  que Donga -  Ernesto Joaquim Maria dos Santos -  registrou como sua composição na Biblioteca Nacional, o primeiro samba do Brasil , o Pelo Telefone, que teve sua primeira gravação feita pela banda da Casa Edison.

Esse gesto, à época,  foi amplamente contestado pelo grupo que considerava a música uma reunião de vários estribilhos ouvidos, assim uma criação de caráter coletivo, nascida em reuniões de música, na casa de Tia Ciata.


O Brasil inteiro cantou esse meio maxixe, que estourou no carnaval de 1917 ,  que muita gente conhece e que virou um clássico da MPB.




 O chefe da polícia
Pelo telefone
Manda me avisá
Que na Carioca
tem uma roleta
Para se jogá...

que mais tarde apareceu uma outra versão para a letra,
(não tão saborosa quanto a primeira, que narra  um episódio acontecido)

 O chefe da folia
Pelo telefone
Manda me avisá
Que com alegria
Não se questione
Para se brincá...


O vídeo abaixo é um clássico da antiga TV Record de São Paulo, que vale a pena ser visto e revisto. Esse encontro histórico de bambas da música brasileira se deu em um programa da Hebe Camargo,  em 1966. Aqui, no Rio, a programação da Record era transmitida pela extinta TV Rio, canal 13.
No dia que aconteceu, eu, da sala da minha casa assisti. Meninos eu vi!