sábado, 25 de setembro de 2010

Saudades do cinema PAX


O PAX foi inaugurado em 1952, em frente à Praça Nossa Senhora da Paz, no bairro de Ipanema, em terreno de propriedade da Igreja Católica. Seu empreendimento foi um dos investimentos do Frei Leovigildo Balestieri, pároco da Igreja de Nossa Senhora da Paz.
Na cidade, aliás, havia outros cinemas da Igreja Católica: o Santo Afonso, o Fátima e o Roma. Todos foram demolidos no final dos anos 70.
No lugar do cinema está o Forum de Ipanema, point da moda e sofisticação.
Eu me lembro do último filme que ali passou: À procura de Mr Goodbar. Fui ver, claro, pra me despedir.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Dia da Árvore

Nesse Dia da Árvore,
lembramos uma das árvores mais populares no Rio:
o algodoeiro da praia.

Hibiscus tileacius, seu nome científico, está presente em toda a cidade e, muito, ao longo da orla carioca, quando a queda de sua flores enfeitam e criam um belo tapete amarelo nos mosaicos das calçadas.



Flor localizada na Cidade Universitária, na Ilha do Fundão - Foto UFRJ/ Reprodução

domingo, 19 de setembro de 2010

Elton Medeiros



Nascido no bairro carioca da Glória e considerado um dos melhores melodistas e ritmistas da história do samba, Elton Medeiros foi um dos principais frequentadores do ZICARTOLA, o restaurante musical de Cartola - de quem é parceiro na linda O sol nascerá - , localizado em um sobrado na Rua da Carioca, no início dos anos 60.

Em 1965 participou do lendário musical Rosa de Ouro, e é o autor da musica-tema, em parceria com Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, um dos criadores do show.

Elton Medeiros completou 80 anos em julho e o programa Sarau, da Globonews produziu, em duas partes, uma bela homenagem. Nele, a presença maravilhosa de Hermínio Bello de Carvalho e duas lindas canções que há muito não se ouvia - Psiquiatra e Folhas no Ar - na bela interpretação de Zé Renato, outra fera da nossa música.

Vale a pena ver e rever. Clique e curta!



sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Saudades da Atlântida...sempre!

No dia 18 de setembro de 1941, a Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil, que criou a chanchada, foi fundada no Rio de Janeiro por Moacir Fenelon e José Carlos Burle.


Abertura dos filmes da Atlântida, no cinema


Durante quase dois anos ela produziu somente cinejornais, o primeiro deles, o Atualidades Atlântida.

O primeiro grande sucesso da empresa, por incrível que pareça foi um drama, Moleque Tião , lançado em 1943, baseado na vida do ator Grande Otelo e por ele estrelado. Hoje, infelizmente, não existe nenhuma cópia do filme.

Aos poucos a linha dos filmes da produtora foi se modificando e ficando mais leves, trazendo o humor inocente e a influência dos musicais da Broadway.

Dois pontos foram importantes na trajetória da Atlântida: o filme Tristezas Não Pagam Dívidas, de 1944, quando Oscarito e Grande Otelo atuaram juntos pela primeira vez e a estréia de Watson Macedo, em 1945, que se transformou num dos grandes diretores da companhia.

Mas é com Este Mundo é um Pandeiro, de 1947, que a chanchada transforma-se na marca registrada da companhia. Nele, Watson Macedo delineia com grande precisão as características fundamentais das chanchadas como a paródia à cultura estrangeira, Hollywood em particular, e crítica às mazelas da vida pública e social do país.

Desse filme, consta a cena clássica em que Oscarito imita Rita Hayworth no fime Gilda.

Com a saída e Watson Macedo, estréia na Atlântida, em 1953, outro jovem diretor, Carlos Manga. Seu primeiro filme na companhia, A Dupla do Barulho, foi um grande sucesso.

E depois, vários outros vieram... Nem Sansão Nem Dalila, paródia do clássico Sansão e Dalila, de Cecil B. DeMille, Matar ou Correr, sátira do longa Matar ou Morrer, de Fred Zinnemann, famoso nos anos 50 pelo gênero faroeste; Carnaval Atlântida, uma brincadeira contando a história da produtora de um tal "Cecílio B. de Milho". Também curtimos Colégio de Brotos, De Vento em Popa - com Oscarito dançando rock´roll- , O Homem do Sputnik, Os Dois Ladrões, e a impagável "cena do espelho" com Oscarito imitando os trejeitos de Eva Todor e vários outros. A lista é longa: 66 filmes até 1962.

Cena do espelho em Os Dois Ladrões


Que bom que vi muitos e muitos deles. E revi vários!

Ah! filmes da Atlântida...
... de doces lembranças de Oscarito e Grande Otelo, Cyll Farney, Anselmo Duarte, Eliana, Fada Santoro, Adelaide Chiozzo, Sonia Mamede, José Lewgoy, Renato Restier, Jaime Filho, Violeta Ferraz, Zezé Macedo e várias estrelas de uma constelação especial que encantava minhas matinês de infância.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Flamengo com e sem aterro

Pra quem morou no bairro do Flamengo, como eu, nos anos 50 e 60, ver as duas fotos abaixo, bate grande recordação. Arrepia.





Praia do Flamengo em 1950, sem aterro.

Aterro do Flamengo, em construção, em 1960
O Monumento aos Pracinhas coberto por andaimes.


domingo, 12 de setembro de 2010

DELICADEZA, SEMPRE!!!

Vale nesse domingo recordar a bela crônica de Affonso Romano de Sant'Anna, In Tempo de delicadeza. Mais uma crônica de todos os tempos.




"Sei que as pessoas estão pulando na jugular uma das outras.
Sei que viver está cada vez mais dificultoso.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas
Mas talvez por isso mesmo ou, talvez, devido a esse maio azulzinho, a esse outono fora e dentro de mim, o fato é que o tema da delicadeza começou a se infiltrar, digamos, delicadamente nesta crônica, varando os tiroteios, os seqüestros, as palavras ásperas e os gestos grosseiros que ocorrem nas esquinas da televisão e do cinema com a vida.



Talvez devesse lançar um manifesto pela delicadeza. Drummond dizia: "Sejamos pornográficos, docemente pornográficos". Parece que aceitaram exageradamente seu convite, e a coisa acabou em "grosseiramente pornográficos". Por isso, é necessário reverter poeticamente a situação e com Vinícius de Morais ou Rubem Braga dizer em tom de elegia ipanemense:

Meus amigos, meus irmãos, sejamos delicados, urgentemente delicados.
Com a delicadeza de São Francisco, se pudermos.
Com a delicadeza rija de Gandhi, se quisermos.


Já a delicadeza guerrilheira de Guevara era, convenhamos, discutível. Mas mesmo ele, que andou fuzilando pessoas por aí, também andou dizendo: "Endurecer, sem jamais perder a ternura".
Essa é a contradição do ser humano. Vejam o nosso sedutor e exemplar Vinícius, que há 20 anos nos deixou, delicadamente.
Era um profissional da delicadeza. Naquela sua pungente "Elegia ao primeiro amigo" nos dizia:

Mato com delicadeza.
Faço chorar delicadamente.
E me deleito.

Inventei o carinho dos pés; minha alma
Áspera de menino de ilha pousa com delicadeza sobre um corpo de adúltera.
Na verdade, sou um homem de muitas mulheres, e com todas delicado e atento.
Se me entediam, abandono-as delicadamente, despreendendo-me delas com uma doçura de água.
Se as quero, sou delicadíssimo; tudo em mim
Desprende esse fluido que as envolve de maneira irremissível
Sou um meigo energúmeno. Até hoje só bati numa mulher
Mas com singular delicadeza. Não sou bom
Nem mau: sou delicado. Preciso ser delicado
Porque dentro de mim mora um ser feroz e fratricida
Como um lobo.

Esta aí: porque somos ferozes precisamos ser delicados. Os que não puderem ser puramente delicados, que o sejam ferozmente delicados.
Houve um tempo em que se era delicado. E Rimbaud, que aos 17 anos já tinha feito sua obra poética, é quem disse um dia: "Por delicadeza, eu perdi minha vida."
Intrigante isso.
Há pessoas que perdem lugar na fila, por delicadeza. Outras, até o emprego. Há as que perdem o amor por amorosa delicadeza. Sim, há casos de pessoas que até perderam a vida, por pura delicadeza. Não é certamente o caso de Rimbaud, que se meteu em crimes e contrabandos na África. O que ele perdeu foi a poesia. E isso é igualmente grave.
Confesso que buscando programas de televisão para escapar da opressão cotidiana, volta e meia acabo dando em filmes ingleses do século passado. Mais que as verdes paisagens, que o elegante guarda-roupa, fico ali é escutando palavras educadíssimas e gestos elegantemente nobres. Não é que entre as personagens não haja as pérfidas, as perversas. Mas os ingleses têm uma maneira tão suave, tão fina de serem cruéis, que parece um privilégio sofrer nas mãos deles.
Tudo é questão de estilo.
Aquele detestável Bukovski, sendo abominável, no entanto, num poema delicado dizia que gostava dos gatos, porque os gatos tinham estilo. É isso. É necessário, com certa presteza, recuperar o estilo felino da delicadeza.
A delicadeza não é só uma categoria ética. Alguém deveria lançar um manifesto apregoando que a delicadeza é uma categoria estética.
Ah, quem nos dera a delicadeza pueril de algumas árias de Mozart. A delicadeza luminosa dos quadros dos pintores flamengos, de um Vermeer, por exemplo. A delicadeza repousante das garrafas nas naturezas mortas de Morandi. Na verdade, carecemos da delicadeza dos adágios.
Vivemos numa época em que nos filmes americanos os amantes se amam violentamente, e em vez de sussurrarem "I love you" arremetem um virótico "Fuck you".
Sei que alguém vai dizer que com delicadeza não se tira um MST - com sua foice e fúria - dos prédios ocupados. Mas quem poderá negar que o poder tem sido igualmente indelicado com os pobres deste país há 500 anos?
Penso nos grandes delicados da história. Deveriam começar a fazer filmes, encenar peças sobre os memoráveis delicados. Vejam o Marechal Rondon. Militar e, no entanto, como se fora um místico oriental, cunhou aquela expressão que pautou seu contato com os índios brasileiros:
"Morrer se preciso for, matar nunca".
A historiadora Denise Bernuzzi de Sant'Anna anda fazendo entre nós o elogio da lentidão, denunciando a ferocidade da cultura da velocidade. É bom pensar nisso. Pela pressa de viver as pessoas estão esquecendo de viver. Estão todos apressadíssimos indo a lugar nenhum.
Curioso.

A delicadeza tem a ver com a lentidão. A violência tem a ver com a velocidade. E outro dia topei com um livro, A descoberta da lentidão, no qual Sten Nadolny faz a biografia do navegador John Franklin, que vivia pesquisando o Pólo Norte. Era lento em aprender as coisas na escola, mas quando aprendia algo o fazia com mais profundidade que os demais.
Sei que vão dizer: "A burocracia, o trânsito, os salários, a polícia, as injustiças, a corrupção e o governo não nos deixam ser delicados."
- E eu não sei?

Mas de novo vos digo: sejamos delicados.

E, se necessário for, cruelmente delicados. "

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O BRASIL ESPERA QUE CADA UM CUMPRA O SEU DEVER(*)

"A ignorância é uma calamidade pública como a guerra, a peste, os cataclismos, e não só uma calamidade, como a maior de todas, porque as outras devastam e passam, como tempestades seguidas de céu bonança; mas a ignorância é qual o câncer, que tem a volúpia da tortura no corroer célula a célula, fibra por fibra, inexoravelmente o organismo; dos cataclismos, das pestes e das guerras se erguem os povos para as bênçãos da paz e do trabalho: na ignorância se afundam cada vez mais para a subalternidade e a degenerescência.

Imaginemos - quod Deos avertat - que somos surpreendidos um dia por uma irrupção inimiga.

Que faremos?

Do nada tudo até eliminá-la do solo sagrado. Por que pois a passividade ante as tremendas conseqüências da ignorância? Ou o Brasil a encara como uma calamidade nacional e lhe acode com o socorro imediato ou estará irremediavelmente batido na concorrência com as nações cultas. (...)"


Essas palavras são do Dr. Miguel Couto, primeiro ministro da Saúde do Brasil. Poliglota e ícone da medicina, que além de sanitarista tinha uma visão espiritual incomum.

Carioca, morou muitos anos no palacete na Praia de Botafogo, localizado próximo à Rua Marquês de Olinda.

Casa onde morou Miguel Couto


Hoje, em frente à rua, há um monumento, no jardim central da Praia de Botafogo, em sua homenagem.
Foto/Reprodução antigo jornal Diário de Notícias


O monumento a Miguel Couto foi idealizado e executado pelo escultor Heitor Usal. Mede quase sete metros desde a base, tendo a estátua de bronze, três metros e meio de altura. A base foi trabalhada em granito, trazido de Petrópolis.

(*)o título desse post é a frase célebre de Almirante Barroso.

domingo, 5 de setembro de 2010

Uma rua carioca de muitas histórias



A Rua Sete de Setembro, no centro histórico da cidade do Rio de Janeiro, inicialmente, foi um caminho aberto para a passagem de um cano de pedra que dava vasão às águas da Lagoa de Santo Antonio, um banhado que existia onde hoje é o Largo da Carioca. Ficou, por isso, sendo a Rua do Cano. Ligava a praça da Constituição (atual praça Tiradentes) à rua do Carmo.

Na realidade, o cano era uma vala, que durante a segunda metade do século XVIII, recebeu um revestimento de pedra e cal. A partir de 1790, foi coberta pelo Conde de Resende.

Uma curiosidade: esse governante mandou prender em 1794 um conhecido morador do local, o poeta Manuel da Silva Alvarenga, pois era considerado suspeito na caça às bruxas após a Inconfidência.
O Conde de Resende, D. José Luís de Castro, foi Vice-Rei entre 1790 e 1801. O acontecimento de maior notoriedade de seu governo foi a devassa e processo dos envolvidos na Inconfidência Mineira e consequente execução de Tiradentes.

A Rua do Cano era limitada pelo muro de uma capela construída entre o Convento do Carmo e a Capela Imperial - vendida, em 1635, pelos frades, a D. Maria Barreto, e posteriormente transferida à Irmandade do Senhor dos Passos - e em 1857 demolida para que a rua pudesse alcançar o Largo do Paço (hoje, Praça XV). Interessante é que, em seu lugar, ficou um passadiço com janelas, por dentro da qual passava a familia real para ir à Capela, sem necessitar pisar o chão do Largo, livres do assédio do povo, como o do Palácio para o Convento, desde os tempos da residência da Rainha D. Maria, a Louca.

Esse passadiço foi demolido no início da república.

A Rua Sete de Setembro, também, por um tempo, denominada ainda como Rua de Trás de São Francisco de Paula, pois a Igreja da Ordem Terceira do santo deste nome, fica de fundos para esta rua.

Em 1877 foi feita uma renumeração dos imóveis da cidade. A esse tempo a rua já era mista, comercial e residencial, com 100 prédios térreos e 94 sobrados.



Alargamento nos tempos de Pereira Passos - foto Augusto Malta



Cartão postal mostra a rua em 1908




sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Um novo astro carioca se lançava há 50 anos

Capa do LP


O cantor carioca Miltinho, nome artístico de Milton Santos de Almeida, se lançou no Rio de Janeiro, com o LP solo "Um Novo Astro", há 50 anos, em 1960, com sua voz marcante, anasalada e ritmo diferenciado.

Desde a década de 40 já havia participado como ritmista e vocalista de importantes grupos musicais, como Namorados da Lua, Anjos do Inferno e Quatro Ases e Um Coringa. e também entre 1950 e 1957 tinha sido crooner da Orquestra Tabajara, de Severino Araújo e do grupo Milionários do Ritmo, de Djalma Ferreira. Mas esse LP sedimentou, definitivamente, sua carreira.


Seu maior sucesso foi a composição de Luiz Antônio, "Mulher de Trinta".

Nesse LP, também outras faixas que foram grandes sucessos:

Ri – (Luiz Antonio)
Idéias Erradas – (Dolores Duran & J. Ribamar)
Teimoso – (Luis Bandeira & Ari Monteiro)
Menina Moça – (Luiz Antonio)
Ultimatum – (Alcebíades Nogueira & Waldemar Gomes)
Triste Fim – (Carlos Sant’anna & Jaime Storino)
Fechei a Porta – (Sebastião Motta & Ferreira Dos Santos)
Você Só Você – (Waldemar Gomes & Luis Bandeira)
Fica Comigo – (Luis Antonio)
Volta – (Luis Antonio)
Eu e O Rio – (Luis Antonio)


Ouça Eu e O Rio em recente gravação junto com Emílio Santiago.

Este disco todo pode ser buscado no Loronix.