quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Um carioca que merece, e muito, ser lembrado!

O arquiteto carioca José da Silva Azevedo Neto é praticamente desconhecido da maioria da população carioca. Nasceu há cem anos, em 22 de agosto de 1908 , e trabalhou para a Fundação Parques e Jardins entre as décadas de 30 e 50.

Foi um especialista na criação de áreas de lazer para os bairros.
Dentre seus projetos urbanísticos no Rio de Janeiro temos as praças Nossa Senhora da Paz e General Osório, em Ipanema, Antero de Quental, no Leblon, Saens Peña, na Tijuca, do Lido e Cardeal Arcoverde, em Copacabana. Mas a lista é muito mais longa, com bonitas e marcantes intervenções em todas as regiões do Rio.

Infelizmente muitas reformas realizadas na cidade, ao longo dos anos, desprezaram as características dos seus projetos originais, como a Praça Saens Peña, totalmente modificada, a Praça Cardeal Arcoverde desaparecida com o surgimento da primeira estação de metrô no bairro de Copacabana, a Praça Piassava, na Fonte da Saudade, na Lagoa, que sumiu com a construção do viaduto de acesso ao Túnel Rebouças.
Mas o belo projeto do Jardim de Alah, em Ipanema, se manteve. Jardim de Alah - 1950 - reprodução

José da Silva Azevedo Neto foi destaque de uma bonita exposição em 2006, organizada pela Fundação Parques e Jardins, no Arquivo Nacional, com dezenas de fotos, esboços e projetos do arquiteto.
Um carioca que merece, e muito, ser lembrado.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

VOCÊ SABIA?

O porquê do nome do Jardim de Alah, jardim que delimita os bairros de Ipanema e Leblon?

Reprodução - Renee Haas


O nome é referência ao filme "The Garden of Allah", com Marlene Dietrich e Charles Boyer, que fez muito sucesso há 70 anos atrás, em 1938, na época da inauguração das obras do Prefeito Henrique Dodworth.
Três praças formam o seu conjunto: praça Almirante Saldanha da Gama (próximo à praia), a praça Grécia (próxima à Lagoa Rodrigo de Freitas), e a praça Paul Claudel , a praça intermediária.Com projeto original de José da Silva Azevedo Neto, - importante arquiteto e pouco lembrado - teve inspiração francesa, com caramanchões românticos e inúmeros bancos. A arborização é basicamente formada de amendoeiras e abricós-da-praia. O jardim ladeia um amplo canal navegável - anterior ao projeto do jardim - entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Oceano Atlântico, no qual foram instalados deques para embarque e desembarque de pessoas. Estava prevista ainda, originalmente, a colocação de gôndolas para passeios na Lagoa Rodrigo de Freitas, tendo a Prefeitura da época chegado a adquirir duas unidades.
Nos anos 50 e 60, era possível alugar pedalinhos para navegar pelo canal, sendo uma opção de lazer muito procurada pelos cariocas.


Reprodução - Arquivo Nacional
Mas de José da Silva Azevedo Neto falaremos mais amanhã.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A Estrela de Natal de sempre

Amigos,
Vou tirar uma semana de descanso
(volto 29 de dezembro).

E com a estrela de Natal de sempre,
desejo a todos um
Feliz Natal !
Mesbla Passeio - Reprodução
Clique para ampliar

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

VAMOS LÁ PESSOAL !!!

Falta pouco tempo!

Ele pode ser uma das 7 maravilhas da natureza.
Vamos votar e eleger o Pão de Açúcar, como fizemos com o Corcovado.
A votação está quase se encerrando : termina em 31.12.08
Natureza? Nesse quesito, do Rio ninguém ganha!
Clique AQUI e VOTE!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Procurando detalhes...

Reprodução - Clique na foto para ampliar e ver detalhes

Essa foto de 1967 guarda várias curiosidades como, à direita, as Casas da Banha - posso até ver que o fundo é vermelhão -; o letreiro de um posto Shell e a antiga marca da concha ; o guarda e seu antigo uniforme que incluía o capacete, as roupas masculinas de um tempo anterior às malhas e jeans que dominam o vestuário atual: todos de camisa de pano - lisas! - para fora da calça; o táxi "fusca" que ainda não era amarelo, A programação visual dos ônibus, sempre de listras sobre o fundo prata e o ônibus elétrico, claro, com o elegante motorista de gravata azul e sua numeração de linhas que sempre começava com "E ".

Retrato de um Rio, há pouco mais de 40 anos atrás!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Rumo a Ipanema

Nessa manhã chuvosa, me chama a atenção curiosa foto relacionada à minha Ipanema.
Em meio a um interessante arquivo de fotos antigas, recebido de um amigo do RIO QUE MORA NO MAR - Pedro Calmon Filho - lá estão elegantes senhores engravatados de chapéu e sapatos bicolores, embarcando, no ponto do Cassino da Urca, rumo a Ipanema.

Reprodução

A foto é de 1944, em plena guerra. O ônibus, um Chevrolet "Tigre" que usava, como combustível, o gasogênio.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Em tempo de CDs


Sábado meio nublado, meio chuvoso e vou ouvir o CD Roberto Carlos e Caetano Veloso, que acabara de comprar.
Fez-se o sol na minha casa! Com as lindas vozes, lindas interpretações, lindos arranjos com variações sobre os clássicos de Tom Jobim.
Uau!!!!!!!!! Roberto cantando POR CAUSA DE VOCÊ e Caetano, o QUE TINHA DE SER.
Mas o CD todo é de arrepiar.
Com certeza um dos melhores da safra desse final de ano.
Pra quem viu o show, sabe que vale o bis. Pra quem não viu e ainda não ouviu o CD, ou viu o DVD, vá correndo até a loja mais próxima. Ou torça para ganhar de amigo oculto. Vai ser, com certeza, um dos melhores de sua coleção!
O que tem a ver com Rio? Tudo. A união de dois dos maiores intérpretes e " cariocas" da nossa MPB: o capixaba da Urca e o baiano de Ipanema. E ainda mais. Muito mais. Cantando o saudoso carioca Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim.
Nosso querido Tom.
BRAVO!!!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Embaixadores de um tempo bom!

capa do CD Embaixadores da Folia
Em tempos de confraternizações, reunimos amigos de sala de aula da década de 60, do nosso querido colégio do primário e ginásio, infelizmente distante no tempo.
Entre recordações, brincadeiras e bom bate-papo, todos nós recebemos o CD Embaixadores da Folia, de um dos seus integrantes - obrigada Denis! - igualmente nosso colega de classe.
Em casa com calma, fui ouví-lo, também com a curiosidade despertada pela frase ao lado da capa, que dizia: por amor ao Rio.
Nossa! Realmente amor à cidade, resgatando o clima de um tempo carnavalesco de saudável brincadeira, lirismo, picardia. E o melhor: com músicas atuais e inéditas - marchinhas, marchas-rancho, sambas e sambas de embalo.
No CD dentre outras faixas o belo hino deles, uma marcha-rancho composta especialmente por ninguém menos que o bamba João Roberto Kelly.
Vale muito ter e ouvir!
A sociedade carnavalesca desfila desde 2001 e saiba mais sobre ela no site http://www.embaixadoresdafolia.com.br/.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Dia de Santa Luzia

Hoje, dia 13 de dezembro é dia de Santa Luzia, protetora dos olhos.

A Igreja de Santa Luzia fica no centro do Rio, hoje na confluência da Rua Santa Luzia e a Avenida Presidente Antonio Carlos. Mas a geografia do local já foi outra.
A foto abaixo é da coleção de Augusto Malta, do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, do ano de 1922. Mostra a igreja e o entorno no tempo do desmonte do Morro do Castelo, o aterro realizado com a terra, e a proximidade da praia de Santa Luzia. Esta praia , antes, fazia parte da chamada Praia da Piaçaba.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Mais um bom livro sendo lançado nesse final de ano:
"O REI DO CINEMA ",
com o subtítulo interessante de
" a extraordinária história de Luis Severiano Ribeiro,
o homem que multiplicava e dividia", de autoria de Toninho Vaz.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Um encontro histórico




 Wilson Simonal e Elis Regina,
em Vem balançar de Walter Santos e Tereza Souza.
1966, Fino da Bossa.





quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Leila Diniz

Capa do livro
Alegria, irreverência, audácia.
Três caracteristicas da atriz Leila Diniz,
que ganha biografia escrita pelo jornalista
Joaquim Ferreira dos Santos,
com noite de autógrafos hoje,
na Livraria da Travessa, em Ipanema.
Leila Diniz quebrou tabus de uma época em que
a repressão dominava o Brasil,
escandalizou ao exibir a sua gravidez de biquini,
rompeu conceitos através de suas idéias e atitudes.
Foi uma mulher à frente de seu tempo,
que abriu muitos caminhos para um novo olhar
e comportamento feminino,
e que Rita Lee muito bem expressou em um verso
da canção " Todas as Mulheres do Mundo":
“Toda mulher é meio Leila Diniz”.
O livro faz parte da coleção Perfis Brasileiros,
da Companhia das Letras.
VAMOS LER!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Curiosidades...

O grande sucesso atual da temporada carioca, A Noviça Rebelde, teve a primeira montagem brasileira, batizada de ‘Música, divina música’.

Muitos devem lembrar.

Com produção de Oscar Ornstein , o espetáculo trazia no elenco nomes como Carlos Alberto, Djenane Machado, Moacir Deriquem, Renato Consorte, João Paulo Adour, Norma Suely.


Nas fotos, abaixo, para recordar, momentos da primeira versão.

Von Trapp - Carlos Alberto - ao violão - em 1965

Norma Suely, atuando no papel de Maria, substituindo Tereza Cristina

Fotos: reprodução/memorial norma suely

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

ROTEIROS GEOGRÁFICOS DO RIO

VALE A PENA E É GRÁTIS !

Promoção: NEPEC (Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Espaço e Cultura) Departamento de Geografia Humana - Instituto de Geografia / CTC /UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

Informações e inscrições:
Pelo e-mail: roteirosgeorio@uol.com.br ou celular: 8871-7238

(RE)CONHECENDO O CENTRO DO RIO A PÉ
Dia 28 de dezembro de 2008 - domingo
Ponto de Encontro: às 9:50 minutos no Adro do Mosteiro de São Bento (Rua Dom Gerardo 40, 5º andar).
Roteiro:

Mosteiro de São Bento (assiste-se a cinco minutos da missa com cantos gregorianos), Vista Panorâmica da Área Portuária e Baía de Guanabara, Av. Rio Branco, Rua Teófilo Otoni, Av, Presidente Vargas, Igreja Nossa Senhora da Candelária (visita), Centro Cultural Banco do Brasil (intervalo de 15 minutos), Centro Histórico Beira-Mar, Rua Buenos Aires, Beco das Cancelas, Rua do Ouvidor, Travessa do Comércio/ sobrado de Aurora e Cármen Miranda, Praça XV, Paço Imperial e de Isabel de Orleans e Bragança (somente maquete do Centro do Rio), Palácio Tiradentes, Rua São José, almoço (Cinelândia, por volta das 13:30), Cinelândia de arrojado conjunto arquitônico , Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro (visita), Museu Nacional de Belas Artes (visita).
Término por volta das 16 horas.

ROTEIRO NOTURNO NO CENTRO DO RIO A PÉ
Dia 30 de dezembro de 2008 – 3ª feira- Às 20:50h
Ponto de Encontro: no Adro da Catedral Presbiteriana
Roteiro:
Prédios iluminados da CATEDRAL EVANGÉLICA DO RIO DE JANEIRO E REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA . Igrela N. S. da Lampadosa, Av. Passos - Território da DASPU, PRAÇA TIRADENTES dos teatros seculares dos modernos hotéis; -RUA DA CONSTITUIÇÃO, LAVRADIO dos antiquários e casas de show; ESPLANADA DE SANTO ANTONIO ; Largo Braguinha. Mem de Sá dos sobrados exuberantes, samba de raiz, marchinhas,...; e mitológica malandragem; SECULARES E SIMBÓLICOS ARCOS DA LAPA - RUA JOAQUIM SILVA - ESCADARIA SELARON - LARGO NELSON GONÇALVES - SALA CECÍLIA MEIRELES.

Término por volta de meia noite

Cada roteiro será limitado a 50 participantes.
Com tempo chuvoso, roteiro é adiado.

domingo, 7 de dezembro de 2008


Encerrando a semana , A GRANDE DAMA do SAMBA ,
Dona Ivone Lara!

Clique e ouça Tendência, sua composição em parceria com Jorge Aragão.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A cor da escola

trechos da reportagem publicada no O GloboOnline

A pedagoga Maria Lúcia Rodrigues teve a sorte de esbarrar com fotos do fim do séc XIX e início do XX que comprovam que a inclusão de professores negros nas escolas aconteceu bem antes de 1960.As imagens e sua pesquisa foram transformados no livro “ A cor da Escola - Imagens da Primeira República”. Ele conta a história dos pimeiros professores e alunos negros entre 1889 e 1930 nos estados do Rio de Janeiro e Mato Grosso, onde ocupavam cargos de destaque nas escolas públicas - eram diretores e representavam boa parte do quadro de docentes, onde alunos brancos e negros dividiam a mesma sala de aula, em semelhante proporção.
“ Entre 1910 e 1930 ocorreu um branqueamento das posições de prestígio e das salas de aula." diz a pedagoga.
A partir da era da imigração européia, foram criadas regras para afastar os negros. A reforma de 1927 dizia que professores com mais de quatro obturações dentárias, sem alguns dentes ou não nascidos no Rio de Janeiro não eram aceitos nas escolas e se criou um estímulo à aposentadoria. Com os alunos aconteceu de forma semelhante,através do preenchimento de um formulário, mais para ficha médica, que discriminava os mais pobres, em sua maioria negros.

A capa do livro - Escola Rodrigues Alves - RJ - 1914

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Ismael Silva


Apesar de nascido em Niterói, foi lá pelo lados do Estácio, na década de 20, onde morava, que começou a compor e se tornou conhecido nas tradicionais rodas de samba do bairro, junto com outros gandes compositores da época, como Bide.
Em 1928, com os principais sambistas do Estácio, reuniu integrantes dos blocos de sujos existentes no bairro, e fundou a Deixa Falar, a primeira escola de samba do Rio de Janeiro. Segundo ele próprio, seria de sua autoria a expressão "escola de samba", por analogia com a Escola Normal existente no Estácio, bairro de onde saíram os "professores" de samba.

"Nasceu a Deixa Falar que tinha como organização
e exigência a presença de diversos elementos
que se perpetuam até hoje.
As baianas, exigência minha, o mestre-sala,
o porta-bandeira e destaques.
Não havia enredo no princípio
– no primeiro ano em que a Escola desceu –
saída do Buraco Quente, na Mangueira,
não havia nenhuma determinação temática
e para não dispersar e manter tudo certo,
arrumadinho, tivemos que criar o ritmo.
O segundo desfile já foi feito com enredo,
era uma versão nossa da Divina Comédia,
com baiana e tudo! "
Ismael Silva

A escola desfilou pela primeira vez em 1929 e depois nos carnavais de 30 e 31, , não chegando a participar do primeiro concurso oficial das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, organizado em 1932 , pelo Jornal Mundo Sportivo.
Dizia, levantando polêmica, que o primeiro samba Pelo Telefone não era samba, era maxixe. Pra ele samba é batucada. Pelo Telefone, não era.
Ismael Silva fez belas canções sozinho ou com parceiros verdadeiros como Noel Rosa, já que vendia muitas canções ou parcerias pela vida difícil . Assim, foi o verdadeiro autor da maioria dos sambas de sucesso cantados por Francisco Alves, que lhe propôs a compra das composições, num acordo mais tarde desfeito.
Ao longo de sua vida passou vários períodos de afastamento e esquecimento, apesar do talento, mas sempre reaparecendo com sucesso, como aconteceu na década de 50 com o samba Antonico - depois de sumiço na década de 40 - ; após 64 no Zicartola e no Teatro Opinião.
Suas belas composições como Adeus, Se você jurar, dentre outras, até hoje são lembradas e cantadas.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Silas de Oliveira

Nascido no subúrbio de Madureira, em 1916, desde menino freqüentou as rodas de samba, apesar da resistência do pai, professor e pastor protestante . O pai, dono do Colégio Assumpção, arrumou uma vaga de professor de Português, tão logo concluiu o Científico, pretendendo que ele abandonasse o gosto pela música.
Ledo engano. Acaba conhecendo Mano Décio, e através dele, o jovem de classe média sobe os morros cariocas atrás das rodas de samba e freqüenta os tradicionais pagodes nas casas das tias baianas.

Silas de Oliveira é considerado o criador do samba-enredo e o mais importante compositor desse estilo, de todos os tempos. Pela estrutura de sua melodia e letra, maneira da introdução de temas e divisões.
Em 1947, um decreto oficial do então Presidente da República Getúlio Vargas, exigia que as escolas desfilassem com temáticas nacionalistas em seus enredos. Silas de Oliveira e Mano Décio tinham composto o samba-enredo Conferência de São Francisco - conhecido também por A Paz Universal - , para a escola de samba Prazer da Serrinha, agremiação carnavalesca da qual faziam parte, mas seu presidente não aceitou a inovação e cancelou a apresentação no momento do desfile. Dias depois era fundado o Império Serrano, por descontentes, dentre eles, Silas de Oiveira.
Silas dedicou 28 anos de sua vida ao Império Serrano e nesse período fez 16 sambas-enredo para a escola, dos quais 14 foram apresentados no desfile oficial.
Dentre seus sambas , alguns se tornaram-se clássicos do gênero, Os Cinco Bailes da História do Rio – em parceria com Dona Ivone Lara e Bacalhau , de 1965, Heróis da Liberdade, de 1969, em parceria com Mano Décio e que teve problemas com a censura do regime militar, e é aclamado como o melhor samba-enredo de todos os tempos.
Outro clássico é Aquarela Brasileira, de 1964, que guarda a curiosidade da chegada da triste notícia de que Ary Barroso, o homenageado do enredo, havia acabado de morrer, no momento em que a Império Serrano ia entrar na avenida para o desfile, em 9 de fevereiro de 64.
O nome de Silas de Oliviera, após sua morte em 1972, foi dado à principal rua da favela do Morro da Serrinha, morro que divide os subúrbios de Vaz Lobo e Madureira.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Paulo da Portela


Paulo Benjamin de Oliveira ou Paulo da Portela nasceu no bairro da Saúde em 1901 e viveu por muitos anos na Praça Onze, até se mudar para Oswaldo Cruz, subúrbio carioca, no início da década de 20.
Fundamental na história cultural brasileira , sua trajetória se confunde com o surgimento do samba no Rio de Janeiro, onde contribuiu para que o ritmo, como era cultivado nos morros e na praça Onze, ganhasse visibilidade, tornando-se popular e bem aceito.
Conhecido pela sua elegância e educação, transferiu isso para a mudança da imagem estereotipada e preconceituosa que se tinha a respeito do sambista, de malandro e vagabundo, para a de artista de respeito. Para isso, ele impôs vestuário próprio para sua agremiação, e defendia que todos estivessem devidamente vestidos. O grupo se tornou conhecido como "cabeça e pescoço tapados", pela obrigatoriedade de trajar chapéu e gravata, como ele sempre trajava, em qualquer ocasião.
A Escola de Samba Portela teve como embrião o Conjunto Carnavalesco Escola de Samba de Oswaldo Cruz, por ele fundado, e antes de se estabelecer na Estrada do Portela, a agremiação teve várias sedes provisórias. A primeira foi na sua própria casa, e a mais curiosa foi um vagão no trem que saía da Central do Brasil em direção ao subúrbio, onde os sambistas se reuniam diariamente para ensaiar. Daí a tradição do trem do samba que nos dias atuais é revivida.
Paulo além de compor sozinho também teve parceiros igualmente ilustres como Cartola, Heitor dos Prazeres, Monarco e seus sambas foram gravados por grandes nomes do rádio, como Mário Reis e Carlos Galhardo.

Uma de suas belas composições é Uma Linda Guanabara

Como é linda nossa Guanabara
Jóia rara que beleza
Quando nosso céu está todo azul, anoitece
O céu se resplandece
Em seu bordado de estrela, vê-se o Cruzeiro do Sul
Pão de Açúcar, poderoso
Fiel companheiro de nossa baía
Vigilante, não dorme um só instante
Guardando a riqueza que natureza cria

Foi homenageado pela Portela em 1984, no enredo Contos de Areia, que deu o 21º campeonato do Carnaval do Rio de Janeiro à escola.

Hoje, Paulo da Portela é nome de praça no seu bairro do coração, em Oswaldo Cruz.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Dia 2 de dezembro - DIA NACIONAL DO SAMBA !

De origem africana o SAMBA no Rio surgiu lá pelos lados Gamboa e da Saúde, em festas nas casas das tias baianas, incorporando outros gêneros como a polca, o maxixe, o lundu, primeiramente com rodas de partido alto e , com o tempo, tomando sua forma peculiar.

Em 1933, Orestes Barbosa, cronista e compositor, afirmou que o samba era um patrimônio da cidade do Rio de Janeiro como um todo. Dizia que o "samba é carioca" e que cada região da cidade do Rio de Janeiro havia "temperado" as marcas desta origem, criando um idioma musical próprio.
"No morro vive um lirismo exclusivo, uma filosofia como que olhando a claridade do urbanismo que, afinal, olha para cima, atraído pelas melodias, e sobre, então, para buscá-las e trazê-las aos salões... uma síntese de inteligência".

Durante um tempo esse ritmo e seus seguidores foram perseguidos. Uma passagem retrata esse tempo infeliz, que hoje se tornou um fato curioso. A Polícia carioca sempre "confiscava" o pandeiro do compositor João da Baiana. Só o deixou em paz quando o então poderoso senador Pinheiro Machado lhe ofertou um instrumento novo, com a inscrição: "Com minha admiração ao João da Bahiana, Pinheiro Machado". Os policiais que o abordavam desconversavam quando ele lhes mostrava a dedicatória.

Do primeiro samba gravado - Pelo Telefone, de Donga e Mauro de Almeida - até os dias de hoje o samba se mantém vivo e cada vez mais marcante em suas diversas facetas. Das rodas da Pedra do Sal, aos morros e às escolas de sambas; do breque do Moreira da Silva, passando por Assis Valente e Cartola. Carlos Cachaça ou Billy Blanco; Silas de Oliveira ou Sinhô; Sinval Silva ou Herivielto Martins; Ataulfo Alves ou Altay Veloso ;Noel Rosa ou Zeca Pagodinho e tantos outros.

Durante esta semana ele será nosso homenageado.

Violão
Pandeiro
Tamborim na marcação
E reco-reco
Meu samba
Viva meu samba verdadeiro
Porque tem
Teleco-teco
( Billy Blanco)
VIVA O SAMBA!


segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Um banquinho, um violão na escola!

Começo dezembro com uma notícia que li ontem e faço questão de reproduzir. Notícias como essa fazem a diferença.

Escola em Pedra de Guaratiba alfabetiza mais rápido com Tom e Vinicius
Bruna Talarico, Jornal do Brasil



As 30 crianças cantam baixinho. É que, ensina a professora, a bossa nova começou em apartamentos de paredes finas da Zona Sul, onde a música incomodava os vizinhos. Hoje, 50 anos depois dos encontros às escondidas, as canções de Tom Jobim, Vinicius de Moraes e João Gilberto ensinam a ler e escrever alunos de 6 e 7 anos de uma escola municipal de um bairro de classe baixa da Zona Oeste da cidade.
Lá, a bossa nova afastou os pequenos do funk, foi ensinada aos pais e levou mais que perspectiva para onde a informalidade é destino certo de grande parte da população.

As casas muito engraçadas – sem teto e sem nada – cantadas por Vinicius são erguidas pelos pais dos alunos da Escola Municipal Professora Elisa Joaquina Daltro Peixoto, em Pedra de Guaratiba, a 60 quilômetros do Centro.
A maioria das famílias, migrante da Paraíba, trabalha nas obras da comunidade do Piraquê, vizinha da escola, e oferece à criançada vocabulário e cultura limitados.
Mas, desde o início do ano, quando a professora Andrea da Silva Milheiros começou a alfabetizar os alunos usando a separação das sílabas das letras mais famosas da bossa nova, o Samba do Avião revelou a letra a; A bicicleta ilustrou o b; e A casa introduziu o c. Fora dali, o cotidiano da meninada deixou de lado a mulher melancia para incorporar a Garota de Ipanema.
– Eu esqueci um pouco do funk – conta Alex da Conceição, 7 anos. – E quando ando de bicicleta eu até canto a música (A bicicleta, de Toquinho).
O companheiro Daniel Mesquita, da mesma idade, complementa, sem esperar:
– O importante não é que a gente sabe cantar, é que a gente sabe as palavras. Já sonhei com as aulas, e ensaio as músicas em casa.
Ao contrário dos tempos dos apartamentos de paredes finas, na sala da 1001 tudo é alvorço. E felicidade. Os meninos e meninas têm sempre uma resposta e a impetuosidade de quem já começa a entender as palavras. Tudo por conta das aulas cheias de bossa da tia Andrea.
Da Garota de Ipanema, sabem que o corpo dourado não é de tinta.
– Dourado é bronzeado, tia – dispara uma aluna à reportagem do JB.
Mais adiante, outro pequeno interrompe, sem cerimônia.
– São pessoas que trabalham – referindo-se aos executivos que procuram a bicicleta na letra de Toquinho.
Já a casa feita com muito esmero, todos sabem, agora, que é aquela feita com vontade.
– E amor também, é quando a gente quer muito – grita a turma, quase em coro.
Assim, os alunos terminaram em em um ano a alfabetização, que levaria três pelo sistema de ensino da rede municipal.
– Eles se envolveram – comemora Marina Gonçalves, diretora da escola. – Tudo isso mostra que deu certo, e tudo o que dá certo é sempre uma soma.
PARABÉNS à professora Andrea da Silva Milheiros !

domingo, 30 de novembro de 2008

Hoje, aniversário de Affonso Penna


Sua atividade febril e incansável no exercício da Presidência da República e sua baixa estatura física, registradas pelos cronistas e caricaturistas daquela época, lhe valeram a alcunha de “Presidente Tico-Tico”.

Nesta data de seu aniversário, destaque para a palavra de várias personalidades a respeito de Affonso Penna.
Seu filho, o jurista, Ministro da Justiça (no governo Artur Bernardes), membro da Academia Brasileira de Letras – Affonso Penna Junior - então catedrático de Direito Civil na Faculdade de Direito de Minas Gerais, em seu discurso de paraninfo da turma graduada em 1920, assim se referiu ao Conselheiro Affonso Penna:

“ Daquele a quem a bondade de seus pares tem conferido as honras de fundador desta Casa, daquele cujo nome sem mancha eu tenho a difícil honra de trazer sem deslustre, ouvi, muitas vezes, que mais tivera em vista, nesta fundação, a formação ética do jurista que a sua ilustração ou cultura técnica.”
O Barão do Rio Branco, em sessão de 30/06/1909 do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro:
“todos os que o conhecemos de perto, amigos e colaboradores que ele escolhera para a tarefa de bem encaminhar o futuro nacional, todos fomos tocados por esse entusiasmo vivaz, por esse nobre e generoso alento juvenil, como a própria esperança. .. O Brasil inteiro que igualmente o acompanhou nessa empresa faz-lhe a justiça de acreditar na pureza de suas intenções, via nele um verdadeiro estadista desejoso de assegurar-nos a paz de que tanto precisamos e precisam todos os povos.”
O renomado jurista Professor Alfredo Valladão em conferência realizada em 25/12/1947 no Instituto dos Advogados Brasileiros :
“ é que Affonso Penna acompanhava bem de perto, com todo nobre interesse, a vida cultural de seus coestaduanos, principalmente das gerações novas, e, nas posições a que atingiu, sabia galardoá-los como lhe parecesse de justiça, ia-lhes ao encontro, não esperava pedidos, nem galardoava por pedidos: esta foi a norma constante de sua vida nobilíssima, no cenário de Minas Gerais e no cenário do Brasil.” Mais adiante disse: “o amor à cultura, ao direito e à justiça, iluminado ainda pela fé e pelo patriotismo, constituiu a nota dominante da vida gloriosa de Affonso Augusto Moreira Penna”.
O Ministro Augusto Tavares de Lyra, em entrevista publicada pelo “Jornal do Brasil” em 16/06/1957, mencionou:
“uma longa experiência da administração, um trato semi-secular com todas as questões brasileiras fazia de Affonso Penna um Presidente que descia aos detalhes no exame dos problemas com seus ministros. Tudo sabia, tudo queria saber.”
Gilberto Freire, em seu livro Ordem e Progresso, refere-se ao depoimento do Ministro Plenipotenciário francês Charles Wiener sobre o Presidente Affonso Penna:
“... De Affonso Penna escreveu um seu admirador europeu, o ministro plenipotenciário francês Charles Wiener, à página 201 de um interessante livro de impressões do Brasil aparecido em Paris em 1907, que era “de petite taille, mince et pâle”. O que não impedia fosse o ilustre mineiro, pela voz suave e pela palavra “gracieuse, souvent spirituelle”, um homem encantador. Homem encantador, mas “amarelinho” miúdo e franzino. Um dos vários pequenotes e pálidos da época de Santos Dumont e de Rui Barbosa, de Severino Vieira e Coelho Neto.”
O editor, poeta e escritor Augusto Frederico Schmidt, em sua coluna no jornal “O Globo” de 30/06/1959, ano do cinqüentenário da morte do Presidente Affonso Penna, escreveu:
“nasci quando Affonso Penna era o Presidente da República. Minha avó dizia-me – quando nasceste, o nosso Presidente era um homem bom, digno e simples, parecido com os melhores homens que conhecemos na monarquia. Muito ouvi falar da moderação, da compostura e da doçura de Affonso Penna. Essa doçura não excluía uma boa dose de malícia, a malícia peculiar do mineiro daquele tempo. O Conselheiro não era homem de confissões, de queixas públicas, antes recatado, sóbrio, guardador de suas histórias, sereno diante da opinião pública. O cinqüentenário da morte do bom Presidente Penna me emociona.”
Josué Montello , proeminente membro da Academia Brasileira de Letras, em seu artigo – “A Lição Mineira de Affonso Penna” - publicado pelo “Jornal do Brasil” em 12/08/1986, disse:

“ creio que a leitura do livro magistral de Américo Jacobina Lacombe – Affonso Penna e sua época – pelo Presidente José Sarney, vem a calhar, como uma boa lição mineira, na hora em que a paciência é uma boa rima para competência, na chefia do governo. Competência, Affonso Penna demonstrou que possuía. E paciência, também.”
Por ocasião das comemorações, em 2006, do centenário da eleição e posse de Affonso Penna na suprema magistratura da Nação, o Dr. José Anchieta da Silva, ilustre advogado e ocupante de elevados cargos em renomadas instituições de Minas Gerais, assim se pronunciou:
“é preciso lembrar os vultos de nossa história, tornando-os presentes, para lembrar aos homens públicos do nosso tempo que, com ética e firmeza de propósitos, independentemente de ideologia e credos, é possível atingir o ideal de um novo Estado,um Estado-altruísta, um Estado-ético.”

sábado, 29 de novembro de 2008


A praça é a antiga Praça do Hipódromo Nacional, que mais tarde passou a se chamar praça Castilho França - nome que jamais foi usado pelos tijucanos. Ela recebe o nome em homenagem ao ex-presidente da República, Affonso Penna.
Affonso Augusto Moreira Penna foi abolicionista desde menino. Discutia com o capataz da mineração de ouro do seu pai, sempre pedindo-lhe melhor tratamento aos escravos, aé que obteve a permissão para determinar ao capataz que as escravas após o 6º mês de gravidez, fizessem apenas trabalhos leves, como lavar e cozinhar. Quando jovem, já diplomado, sempre manteve correspondência com Castro Alves, com foco na abolição da escravatura e como Ministro do Império, assinou a Lei dos Sexagenários.
Mais tarde, afastado da política, foi chamado pelo Governo de Minas Gerais para defender o estado numa disputa judicial. Após ganhar a causa, o Presidente do Estado de Minas Gerais – João Pinheiro - perguntou-lhe sobre o valor dos honorários. Affonso Penna respondeu-lhe que jamais cobraria serviços ao seu estado natal, que era seu dever defender Minas Gerais, gratuitamente. Então, o Presidente do estado indagou a outros advogados o valor habitual dos honorários para o serviço prestado por Affonso Penna e enviou-lhe o pagamento. Affonso Penna usou este valor para a compra de um terreno em Belo Horizonte, doando-o para a construção da Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais (antiga Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais, sediada em Ouro Preto), que é denominada "a vetusta casa de Affonso Penna".
Entre outros, exerceu os cargos de: Conselheiro e Ministro de três pastas do Império (Agricultura e Viação, Guerra e Justiça), Deputado Estadual de Minas Gerais, Deputado Geral pelo Partido Liberal, Senador, Presidente do Banco da República (atual Banco do Brasil), Presidente do Estado de Minas Gerais, Presidente do Conselho Deliberativo de Belo Horizonte (cargo correspondente ao de Prefeito).Vice-Presidente e Presidente da República.

Em eleição direta recebeu 288.285 votos para Presidente da República. Antes de tomar posse, fez longa viagem a vários Estados das diversas regiões do país. Seu objetivo era ouvir e observar os problemas de cada Estado, para mais tarde, no exercício do cargo de Presidente, bem discernir as melhores alternativas de soluções.
O espírito de trabalho incansável acompanhou diariamente Affonso Penna no cargo de Presidente da República, como atestam as inúmeras obras efetuadas em somente 2 anos, 6 meses e 29 dias de governo.
Não parou de trabalhar, mesmo acometido de forte pneumonia. O agravamento desta doença, conjugado com desgostos sofridos(falecimento de um irmão querido e do seu filho Álvaro aos 25 anos de idade), levou-o a falecer.

Em seu leito de morte, no Palácio do Catete, Affonso Penna murmurou ao ouvido do ilustre médico Dr.Miguel Couto, a síntese dos valores maiores da sua vida:“DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA E LIBERDADE”.

Mineiro, de Santa Bárbara do Mato Dentro (hoje apenas Santa Bárbara), Affonso Augusto Moreira Penna nasceu no dia 30 de novembro de 1847 e faleceu em 14 de junho de 1909, no Palácio do Catete , hoje sede do Museu da República.
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Agradecimentos a Affonso Augusto Moreira Penna , bisneto de Affonso Penna, pela extensa biografia gentilmente fornecida, da qual reproduzimos alguns trechos neste post e no de amanhã.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

145 anos da 1ª edição


Essas memórias foram escritas, despretenciosamente por Manuel Antônio de Almeida, para saírem em folhetins no famoso CORREIO MERCANTIL. Mal sabia ele a obra-prima que produzira, principalmente quando o romance transformado em brochura - publicado sob o pseudônimo de “ Um Brasileiro” - transformou-se em retumbante encalhe.
Na realidade, não alcançou nenhum êxito por se tratar de algo novo. As pessoas estavam habituadas a ler textos para chorar e não reconheceram a novidade de um romance realista, com uma história que somava lirismo e comicidade e o irreverente registro dos costumes.

Manuel Antônio de Almeida era um carioca da Gamboa, nascido na rua do Propósito - à época, Praia da Gamboa - que se formou em Medicina, tornou-se médico sem clientes e preferiu o caminho do jornalismo e do serviço público.
Foi na função de administrado da Tipografia Nacional, que lhe coube dar a mão a um rapazinho mulato, de nome Joaquim, míope e gago, aprendiz de tipógrafo, que lia muito durante o trabalho.
Anos mais tarde quando faleceu prematuramente em um naufrágio perto de Macaé, no rol de amigos que mandaram celebrar missa pela sua alma, figurava o nome completo daquele Joaquim: Joaquim Maria Machado de Assis.
A primeira edição de MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS, como livro e com o nome do autor na capa saiu há 145 anos, em 1863, pela Typographia do Diário do Rio de Janeiro - situada à Rua do Rosário, 84 - após a morte de Manuel Antônio de Almeida, num dia 28 de novembro, em1861.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Museu Nacional de Belas Artes

Reprodução

Apesar de inaugurado há 70 anos, em 19 de agosto de 1938, a história do Museu Nacional de Belas Artes é bem mais antiga, e remonta à chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro em 1808, já que Dom João VI se fez acompanhar de um conjunto de obras de arte, algumas das quais permaneceram no país e figuram como o núcleo inicial da coleção.
O rei fundou a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, em 1826 a instituição passou a ser chamada de Academia Imperial de Belas Artes e com o advento da República, a academia foi rebatizada como Escola Nacional de Belas Artes, passando a ocupar sua sede atual na antiga Avenida Central, atual Avenida Rio Branco.
O autor do projeto do prédio foi o arquiteto espanhol Adolfo Morales de los Rios, mas durante a construção o desenho seria alterado por Rodolfo Bernardelli, então diretor da escola, e mais tarde Archimedes Memoria também acrescentaria outras mudanças. O resultado é uma construção eclética, com fachadas em diferentes estilos.

  • "A fachada principal na Avenida Rio Branco é inspirada na Renascença francesa, com frontões, colunatas e relevos em terracota representando as grandes civilizações da antigüidade, além de medalhões pintados por Henrique Bernardelli com retratos dos integrantes da Missão Francesa e outros artistas brasileiros. As laterais são mais simples, e fazem referência à Renascença italiana; possuem mosaicos parisienses com figuras de arquitetos, pintores e teóricos da arte, como Vasari, Vitrúvio e Da Vinci. A fachada posterior é um exemplo mais puro e austero do Neoclassicismo, com relevos ornamentais de Edward Cadwell Spruce. Na decoração interna foram usados materiais nobres como mármores e mosaicos, estuques, cristais, cerâmicas francesas e estatuária."
    ( IPHAN)

O edifício foi tombado pelo IPHAN em 24 de maio de 1973 e possui mais de 6000 m² de áreas de exposição, com cerca de 1.700 m² de reservas técnicas.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Mosquitos da dengue...

"... brigadas de mata-mosquitos - agentes sanitários munidos de larvicida e instrumentos apropriados para a eliminação dos focos - passaram a percorrer a cidade, lavando caixas d'água, desinfetando ralos e bueiros, limpando telhados e calhas e eliminando depósitos de larvas do inseto. Folhetos com instruções neste sentido distribuídos à imprensa, à população em geral e aos médicos."

Notícias de hoje? Não. Notícias de cem anos atrás.

Mas no início do século XX, o mosquito transmissor da dengue chegou até mesmo a ser erradicado, graças à atuação do médico e sanitarista Oswaldo Cruz, fundamental no combate à febre amarela, no século XIX, doença também transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Esse foi um dos assuntos prediletos das revistas e semanários da época, sempre com caricaturas de Oswaldo Cruz e das ações implementadas.




Oswaldo Cruz em carta - em 8 de março de 1907 - ao então presidente brasileiro Affonso Penna, diz que "graças à firmeza e vontade do governo, a febre amarela já não mais devasta sob a forma epidêmica a capital da República".

Torcemos que uma nova carta, com esse mesmo teor, nos dias atuais, possa acalmar nossas apreensões.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Água Mineral Caxambu

Esse semestre trouxe de volta a Água Mineral Caxambu. Foi essa água, a mais comercializada na cidade, onde aparecia em letreiros, como o da foto abaixo.


Esquina da Rua Voluntários da Pátria com Praia de Botafogo
Foto Augusto Malta de 30/6/1923 - reprodução


Era a preferida, inclusive de personalidades como Olavo Bilac, que ía após os afazeres, às cinco da tarde, para Confeitaria Colombo e lá, segundo o amigo Bastos Tigre " inundava-se de Caxambu"; ou de Rui Barbosa que escreveu Medicina entre flores, à cidade e sua admiração pela água.

Anúncio antigo

O retorno da comercialização da água mineral Caxambu
teve início no dia 25 de agosto.
Antigo sabor de volta à cidade!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008


Uma grande voz da bossa nova, nos dias atuais:
Cris Delano .
Ela também é uma das responsáveis pela sonoridade do BOSSACUCANOVA,
onde sua voz, ritmo e interpretação
se soma ao excepcional conjunto.
Aqui em um momento do filme
Coisa Mais Linda, de 2005,
onde canta CAMINHOS CRUZADOS,
acompanhada de Roberto Menescal.
Clique e curta!

domingo, 23 de novembro de 2008

A ARTE DE VIVER

Trechos de uma bela palestra para uma reflexão de domingo.

"O PARAÍSO É O MUNDO DO BELO

...para que possamos transformar o Rio de Janeiro no Mundo do Belo, nós vamos precisar embelezar o coração das pessoas, para tirar as mágoas, ressentimentos, incompreensões e todos os demais sentimentos negativos...

Para mudar, precisamos desenvolver a ARTE. E a ARTE mais difícil é a ARTE DE VIVER, a ARTE DE VIVER BEM.

Para começar é preciso ZERAR. Deus atribuiu a cada um de nós o LIVRE-ARBÍTRIO. Há pessoas que têm facilidade para mudar, para renovar-se (igual ao camaleão), outras não conseguem nunca. O EGOÍSMO e o APEGO criaram “cascas” tão grossas, tão profundas em nossos corações e mentes que a pessoa não tem forças para mudar e acompanhar o ritmo do DIA. Quando começa a ser “ILUMINADA” (pela Luz de DEUS) se desespera com o aparecimento de sua “Sombra”.

Muitas vezes, essa “Sombra” vem acompanhada de dor e a pessoa faz tudo para voltar para a escuridão (na escuridão não tem sombra). Não tem forças, nem FÉ, nem coragem, nem sabedoria, nem paciência, nem percepção para perseverar, se elevar e se tornar mais útil a DEUS. Começar do ZERO, muitas vezes, é uma benção. É tirar todas as “cascas”, purificar todo pensamento e sentimento negativo; enquanto houver “casca”, haverá “sombra” e significa que ainda não começou do ZERO.

E o que significa o ZERO? Ele é uma circunferência, você pode ou não colocar o ponto no centro da circunferência. O ponto colocado no centro da circunferência passa ser o seu eixo (é como a roda de um veículo: se não tiver o eixo ou este estiver desalinhado, o veículo não vai a lugar nenhum). Este ponto é o seu ESFORÇO MÁXIMO, é QUEBRAR O SEU LIMITE, é desenvolver a INTELIGÊNCIA DA PERCEPÇÃO VERDADEIRA, é aprofundar a limpeza do seu sentimento em busca da evolução e da perfeição. É planejar profundamente, colocando todo o seu AMOR, a sua GRATIDÃO, a sua SABEDORIA.

É decidir respeitando a ORDEM, as DIRETRIZES, a HIERARQUIA, ÉTICA e DIGNIDADE. É vivificar tudo que existe ao seu redor. É dar vida a TODAS as pessoas e coisas. É tirar todo o seu GÁ (ego) sem EGOÍSMO e sem APEGO. É aprofundar-se na sua FUNÇÃO, criando FORMAS adequadas para cada situação. Isto vale para todas as situações, seja na FAMÍLIA, no TRABALHO, na ESCOLA, na SOCIEDADE como um todo.

É colocar-se na posição da outra pessoa e ficar atento a todo pensamento e sentimento negativo que surgir na sua mente e em seu coração, não se deixando levar por eles.
Procedendo assim, tenho a certeza de que conseguiremos entrar no Mundo do BELO, o PARAÍSO, que existe dentro de cada um de nós.

Vamos, então, começar a dar valor ao BELO. Chegou a hora, realmente, de realçar a BELEZA. É o BELO por fora (na nossa moradia, no nosso trabalho, na nossa missão, etc) e, principalmente, o BELO interior (sentimento, palavras e ações). O fundamental é a LIMPEZA. Não é só a parte externa, tem que ter BELEZA e LIMPEZA interior.

Têm pessoas que convivem com a fealdade achando que é normal. Interiormente, ela foi educada a não se incomodar com a fealdade. Então, mudar isto nas pessoas não é tarefa fácil. Têm que ensinar às pessoas o máximo de higiene, não só física, material (limpeza pessoal, da casa, dos filhos, etc). Têm que ensinar às pessoas o máximo de higiene, limpeza espiritual, para não macular o espírito. A pessoa tem que aprender a praticar o BELO, ter noção do BELO, colocar o BELO em sua VIDA.

Os LARES têm que ser assim: TUDO NA MAIS PERFEITA ORDEM, COM LIMPEZA, LUZ, CLARIDADE e FLOR, IMPREGNANDO DE BELEZA TODAS AS PESSOAS E TODAS AS COISAS, GERANDO A VERDADEIRA HARMONIA, SAÚDE E PROSPERIDADE.

Vamos todos nesta luta, para que possamos, juntos e unidos, realmente, estabelecer nesta Cidade Maravilhosa chamada Rio de Janeiro, o PARAÍSO TERRESTRE."

( trechos da palestra sobre o tema O MUNDO DO BELO- Luiz Sérgio Lazary - Coordenador da Fundação Mokiti Okada - Rio de Janeiro)

sábado, 22 de novembro de 2008

Curiosidades

Dentro de um rígido figurino militar, escondia-se um Marechal Deodoro mais ameno.
Vaidoso na aparência e no vestir, ele gostava de usar jóias, alardeava seus conhecimentos de latim, considerava-se um bom dançarino e escrevia versinhos.

Mas um hábito de Deodoro da Fonseca não despertava simpatia: o de usar jóias. Aristides Lobo, ministro do Interior, cismava com isso. Achava de gosto duvidoso o pesado anel que o chefe do governo usava no dedo mínimo, sem contar o peito repleto de medalhas e comendas - uma delas, a Grande Dignatária da Ordem da Rosa, lhe foi conferida pessoalmente por D. Pedro II. Havia, também o prendedor de gravata de pérola, os chamativos botões nos punhos da farda ou do paletó e a correntona que segurava o relógio de bolso...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008


Antônio Carlos de Mariz e Barros ( 1835 / 1866) foi um militar brasileiro que combateu e morreu na Guerra do Paraguai.
Capitão-Tenente , carioca, filho do Visconde de Inhaúma, o almirante Joaquim José Inácio, durante a Campanha do Paraguai comandou honrosamente em diversas excursões o encouraçado Tamandaré e no Passo da Pátria, foi ferido no joelho direito, por uma bomba. Com grande coragem arrancou com as próprias mãos a perna, que ficara presa. Transferido para o vapor Onze de Junho, hospital de sangue da esquadra, teve amputada o resto da perna, ocasião em que recusou o alívio do clorofórmio, e ordenou que lhe cortassem a perna, lhe dessem um charuto acesso, que fumou tranquilamente durante a amputação.
À meia noite deste dia , com convicção de que morreria, mandou pelo médico que lhe assistia, um recado a seu pai: "soube sempre honrar seu nome".

Na sessão de 16 de novembro de 1874, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em memória de um dos mais distintos oficiais da armada imperial, considerado herói da Guerra do Paraguai, trocou a denominação da Rua Nova do Imperador para Rua Mariz e Barros.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A Velha Guarda


Essa é a capa do disco A Velha Guarda, do selo Sinter - Companhia Brasileira de Discos (CBD), de 1954.
A Velha Guarda foi um conjunto organizado por Pixinguinha (sax) com Donga, violão; João da Baiana, ritmo; Bide, flauta; Alfredinho,flautim - à época já com 70 anos- ; os violonistas, Rubem, Mirinho e Lentini e o cavaquinho de Waldemar. Mais a voz de Almirante e pela primeira vez como vocalista, J. Cascata, compositor consagrado, autor de Lábios que beijei.
Esse disco era da coleção de meu pai, que hoje guardo como uma preciosidade. Tem texto da contracapa de Lúcio Rangel, a bela ilustração da capa é do Lan e o repertório...uma maravilha !
À época o conjunto se apresentava na boite Casablanca, no show O SAMBA NASCE NO CORAÇÃO.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Chopp Duplo

A Light - à época The Rio de Janeiro Tramways, Light and Power Co - inaugurou a Viação Excelsior na década de 20. Como a Companhia de Carris do Jardim Botânico detinha o monopólio das linhas de bondes para a zona sul, a Light decidiu conquistar parte desse mercado através dos auto-ônibus, cujos trajetos se sobrepunham às linhas de bondes.

A Excelsior iniciou suas atividades em 23 de novembro de 1927.
Um de seus ônibus mais famosos foi o ônibus Imperial, ou melhor, chopp duplo, como foi apelidado pelos cariocas. Eram veículos com dois andares, com capacidade para 28 passageiros embaixo e 34 passageiros no andar de cima, todos sentados. Ele circulou no Rio de Janeiro nas linhas Praça Mauá / Copacabana e Clube Naval / Leme até 1948.


A foto mostra um "chopp duplo" cruzando o Largo da Lapa. À esquerda a Igreja de N. S. do Carmo da Lapa do Desterro- que deu origem ao nome do local - e à direita vê-se parte do Grande Hotel, construído em 1896. No local funcionou, a partir de 1941, o Cinema Colonial e, desde 1964, lá está a Sala Cecília Meireles.
Foto - reprodução/Adega flor de coimbra

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Chuva no Rio e... Manuel Bandeira


A chuva de ontem me inspirou o post de hoje.
Foto: reprodução Globo Online

Fiquem com a linda poesia desse carioca de coração,
Manuel Bandeira, que dizia
" há muito brasileiro que,
vindo morar no RIO, se torna mais carioca
do que muito carioca nato".

Enquanto a Chuva Cai

A chuva cai. O ar fica mole . . .
Indistinto . . . ambarino . . . gris . . .
E no monótono matiz
Da névoa enovelada bole
A folhagem como o bailar.
Torvelinhai, torrentes do ar!
Cantai, ó bátega chorosa,
As velhas árias funerais.
Minh'alma sofre e sonha e goza
À cantilena dos beirais.
Meu coração está sedento
De tão ardido pelo pranto.
Dai um brando acompanhamento
À canção do meu desencanto.
Volúpia dos abandonados . . .
Dos sós . . . — ouvir a água escorrer,
Lavando o tédio dos telhados
Que se sentem envelhecer . . .
Ó caro ruído embalador,
Terno como a canção das amas!
Canta as baladas que mais amas,
Para embalar a minha dor!
A chuva cai. A chuva aumenta.
Cai, benfazeja, a bom cair!
Contenta as árvores! Contenta
As sementes que vão abrir!
Eu te bendigo, água que inundas!
Ó água amiga das raízes,
Que na mudez das terras fundas
Às vezes são tão infelizes!
E eu te amo! Quer quando fustigas
Ao sopro mau dos vendavais
As grandes árvores antigas,
Quer quando mansamente cais.


segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Eventos interessantes no RIO!

. Você gostaria de viajar ao Egito Antigo sem sair do Rio?
Então, visite o Forte de Copacabana de 17 a 30 de novembro de 2008 .
"Egito: uma viagem no tempo" é o evento que o Forte Copacabana, o Consulado da República Árabe do Egito e o Grupo Hórus Alado vão oferecer ao público nesse período para homenagear a terra dos faraós.
Exposições de papiros, réplicas e quadros aguardam os passageiros dessa viagem milenar. Todos poderão mergulhar nesse magnífico universo através de palestras e atividades educativas, tais como apresentações de contos e lendas do Egito Antigo, que serão realizadas pelos grupos da Associação Viva e Deixe Viver e Karingana ua Karingana. Um incrível túnel do tempo em que todos vão se divertir e aprender com os sábios e escribas dessa majestosa civilização. A idéia principal desse evento é aproveitar a sabedoria do Antigo Egito para resgatar valores como solidariedade e respeito ao próximo.
. Centenária CIDADE MARAVILHOSA e o nosso RIO continua lindo!
Promoção: Instituto de Geografia - UERJ
Evento consiste em um Seminário Científico-Cultural, que comemora os cem anos do título conferido pelo escritor Coelho Neto, no dia 29 de novembro de 1908, no jornal "A Notícia".
A programação inclui mesas redondas com palestrantes cientistas, pesquisadores, críticos, professores, atletas, personalidades do cenário artistico, cultural e religioso, que contribuem na valorização da Cidade Maravilhosa de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Dias: diariamente do dia 24/11/ 2008 a 29/11/2008
Local: - UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Auditórios 11 e 13
Rua São Francisco Xavier, 524 - Campus Maracanã - Maracanã
Informações e horários: Fone: (21) 2587-7442

domingo, 16 de novembro de 2008

30 anos sem Candeia

“O tempo que o samba viver
O sonho não vai se acabar
E ninguém vai esquecer, Candeia”.
Luiz Carlos da Vila

Compositor portelense , líder comunitário, personalidade forte. Este foi Antônio Candeia Filho, ou simplesmente Candeia, freqüentador de rodas de samba em Oswaldo Cruz desde os seis anos, onde aprendeu cedo a tocar violão e cavaquinho.
Policial e sambista, em 1953 fez seu primeiro enredo, Seis Datas Magnas, com Altair Prego. Com ele a Portela teve nota máxima em todos os quesitos do desfile : 400 pontos.
Depois de uma briga de trânsito ficou paralítico, o que o modificou e fez repensar a vida , influenciando, inclusive, suas composições.
Como grande defensor da cultura afro-brasileira , fundou a Escola de Samba Quilombo, que definia como "Escola de Samba é povo na sua manifestação mais autêntica! Quando o samba se submete a influências externas, a escola de samba deixa de representar a cultura de nosso povo."
Para saber mais, vale ler o livro Candeia, Luz da Inspiração, de João Baptista Vargens. Uma biografia que traz ainda um pouco da vida do subúrbio do Rio, na transição da primeira metade para a segunda metade do século XX.

Clique abaixo e curta o samba enredo campeão da Portela, Seis Datas Magnas

sábado, 15 de novembro de 2008

Almirante

foto : reprodução site Collectors
Pouco se falou do seu centenário de nascimento, em 19 de fevereiro.
Como o blog ainda não existia nessa época, fazemos, hoje, nossa homenagem.

Almirante - Henrique Foréis Domingues - carioca do Engenho Novo , ganhou esse apelido por ter servido na Marinha. Na música inicialmente foi cantor e pandeirista em um grupo chamado Flor do Tempo, que mais tarde, com a entrada de Noel Rosa, passaria a se chamar Bando dos Tangarás, que lançou o primeiro disco em 1929. Neste estava o samba de sua autoria Na Pavuna, em parceiria com Homero Dornellas, que foi a música preferida do público, no Carnaval de 30 . Este samba foi o pioneiro no uso de percussão, em estúdio de gravação, derrubando um tabu, existente na época, de que o som de surdos e tamborins "sujava" as gravações.
O Bando dos Tangarás se desfez, mas Almirante continuou como cantor, notabilizando-se com sambas e músicas de carnaval, como O Orvalho Vem Caindo, Yes, Nós Temos Bananas e Touradas em Madri.
Seu programa de rádio Curiosidades Musicais, em 1938, foi o primeiro no Brasil a usar técnica de montagem. A partir da década de 40 Almirante abandonou a carreira de cantor e passou a se dedicar exclusivamente à atividade de radialista. Em 18 anos, comandou 20 programas de rádio e se interessou pela preservação da história da música popular brasileira, tornando-se um dos primeiros e mais importantes pesquisadores nessa área. Em 1965 doou seu acervo para o Museu da Imagem e do Som ,do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Dick Farney, outro aniversariante de novembro!

foto - reprodução site uspfm
Do dia 14, ele deixou para trás o nome de Farnésio Dutra e Silva e se ligou ao charmoso pseudônimo.

De crooner da orquestra de Carlos Machado, no Cassino da Urca, à gravação de mais de 70 discos, a partir de 1944; do grande sucesso "Copacabana" , de João de Barro e Alberto Ribeiro, em 1946 à interpretação ímpar de "Tereza da Praia", de Tom Jobim e BillyBlanco, em dupla com Lúcio Alves, Dick Farney dedilhou sua trajetória musical com charmosa voz, elegância e bom gosto musical.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A figueira da Tijuca


reprodução - foto site INEPAC/RJ


A figueira existente na rua Mariz e Barros é árvore secular e foi a primeira árvore tombada , em 24/10/1968, pelo DECRETO “E” 2.433. Pertence ao gênero Urostigma, popularmente conhecida como figueira-brava ou mata-pau. Tem "silhueta umbeliforme, a copa esgalhada e frondosa, o tronco curto, vigoroso, canelado e as raízes robustas que se entrelaçam". Essas figueiras já foram comparadas a estruturas arquitetônicas vivas.


A figueira em frente ao SENAI, da Rua Mariz e Barros nº 678, é um monumento vegetal, "cenicamente implantado em relação à rua", e está incorporado à história do bairro da Tijuca.





quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Quem é quem nas ruas do Rio


A partir de hoje, toda semana, vamos fazer um quem é quem nas ruas do Rio.
Começamos pela rua Francisco Otaviano, no final de Copacabana, no posto 6. É a última rua transversal à Avenida Atlântica e se liga ao bairro de Ipanema, saindo na Avenida Vieira Souto.
Francisco Otaviano de Almeida Rosa, advogado, jornalista, político, diplomata e poeta, nasceu no Rio de Janeiro em 26 de junho de 1825, e aqui faleceu em 28 de junho de 1884. É o patrono da Cadeira n. 13, da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Visconde de Taunay.
Como jornalista, empenhou-se com entusiasmo nas campanhas do Partido Liberal e tomou parte preponderante na elaboração da Lei do Ventre Livre, em 1871 .
Poeta desde menino, não se dedicou suficientemente à literatura. Ele mesmo exprimiu com freqüência a tristeza de haver sido arrebatado à poesia pela política, por ele chamada de "Messalina impura", num epíteto famoso.
Ficou para sempre inscrito entre os nossos poetas da fase romântica. Abaixo a linda Ilusões de Vida.


Ilusões de Vida
Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem - não foi homem,
Só passou pela vida - não viveu.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ari Barroso, outro aniversariante de novembro


Em sua homenagem, Aquarela do Brasil
numa animação maravilhosa de Walt Disney,
com o personagem Zé Carioca.

Oito minutos de puro show!

Clique
e veja!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O aniversariante de novembro, do dia 12.


O grande Paulinho da Viola.

"A música de Paulinho da Viola
representa um universo particular
dentro da cultura brasileira.
Experimentá-la é reconhecer
que a identidade cultural brasileira
não é única, há sempre algo mais."

Clique aqui , veja e ouça
a linda "14 anos", uma pequena crônica.

domingo, 9 de novembro de 2008

Domingo, dia de pernas de fora_3


Flagrante de como eram os maiôs para o banho de mar, no início do século XX. Detalhe da touquinha na cabeça!

sábado, 8 de novembro de 2008

Sábado, dia de saias curtas!_3

Aliás, nada curtas.
Mas é interessante mostrar o comprimento das saias, há exatos 100 anos.

A foto mostra três elegantes senhoras na Exposição Nacional de 1908, feita para comemorar os 100 anos da abertura dos portos às nações amigas.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Cecília Meireles

Carioca da Rua da Estrela - que mereceu uma poesia sua - desde cedo mostrou seu talento , e Olavo Bilac, que tinha bons olhos, como Inspetor Escolar do Rio de Janeiro, lhe deu uma medalha de ouro por ter feito todo o curso primário — concluído em 1910, na Escola Estácio de Sá - com "distinção e louvor". Pintura a aquarela , que fiz no centenário de Cecília, em 2001
Nesse dia 7 de novembro, data do seu aniversário,escolhi a prosa de Cecília, num trecho interessante de " Depois do Carnaval"

" ...Neste país tão avançado e liberal — segundo dizem — há milhares de corações imperiais, milhares de sonhos profundamente comprimidos mas que explodem, no Carnaval, com suas anquinhas e casacas, cartolas e coroas, mantos roçagantes (espanejemos o adjetivo), cetros, luvas e outros acessórios.Aliás, em matéria de reinados, vamos do Rei do Chumbo ao da Voz, passando pelo dos Cabritos e dos Parafusos: como se pode ver no catálogo telefônico. Temos impérios vários, príncipes, imperatrizes, princesas, em etiquetas de roupa e em rótulos de bebidas. É o nosso sonho de grandeza, a nossa compensação, a valorização que damos aos nossos próprios méritos...Mas, agora que o Carnaval passou, que vamos fazer de tantos quilos de miçangas, de tantos olhos faraônicos, de tantas coroas superpostas, de tantas plumas, leques, sombrinhas...?
"Ved de quán poco valorSon las cosas tras que andamos Y corremos..." dizia Jorge Manrique. E no século XV!
E falando de coisas de verdade!
Mas os homens gostam da ilusão. E já vão preparar o próximo Carnaval..."

(extraído do livro "Quatro Vozes")