quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Pequenos paraísos secretos do Rio



Imagine uma praia praticamente secreta, com uma espécie de piscina natural, a menos de 50km do Centro do Rio? Ou uma cachoeira emoldurada pela Mata Atlântica, em meio a movimentação intensa da grande Tijuca?

 No Rio, existem alguns pequenos paraísos secretos e pouco explorados pelos moradores da cidade, que podem ser uma boa opção de passeio para esse começo de ano. Conheça alguns deles:

Praia do Secreto - Recreio dos Bandeirantes

Praia do Secreto, no Recreio 
Quem passa pela Estrada do Pontal pode não imaginar que, a poucos metros dali, existe um pequeno pedaço de paraíso. Localizada entre a Praia da Macumba e a Prainha, no Recreio, Secreto é uma pequena piscina natural de difícil acesso que, como o nome sugere, é pouco conhecida até mesmo para os moradores da região. Para chegar até ela, é preciso andar pelas pedras a partir da Praia da Macumba ou subir pela estrada que liga Macumba e Prainha, e descer pela trilha de terra e pedra, que é bastante íngreme. O esforço recompensa, mas é preciso ficar atento às marés: as muito altas ou muito baixas fazem com que a piscina desapareça.

Parque Estadual do Grajaú - Grajaú


A cachoeira Mãe D’Água fica no Grajaú, dentro do Parque Estadual do Grajaú Fotos Hudson Pontes / Agência o Globo.
O Parque Estadual do Grajaú está localizado no bairro de mesmo nome e estende-se sobre a encosta nordeste da Serra dos Três Rios até os limites do Parque Nacional da Tijuca, seu vizinho mais famoso. É um ótimo passeio para quem gosta de aventura e escalada, e tem como marco a Pedra do Andaraí, com altitude de 444 metros. Dentro do parque também está localizada a cachoeira da Mãe D’Água, cujo acesso é feito através de uma caminhada de 20 minutos partindo do final da Rua Marianópolis.

Praia do Perigoso - Guaratiba




De perigosa, a praia só tem o nome. O paraíso da foto acima fica localizado em Guaratiba, na zona oeste do Rio, e é tranquilo e quase deserto, frequentado principalmente por surfistas. Quem se animar a conhecer a praia deve ir de carro ou ônibus até Barra de Guaratiba, e descer na estação Ilha de Guaratiba do BRT. De lá, é preciso subir a trilha pela Rua Parlon Siqueira, na Praia do Canto. São cerca de 1,5Km de caminhada na floresta, que demora mais ou menos 40 minutos. É importante levar tudo aquilo que quiser consumir, pois no local não há a circulação de ambulantes.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015


TOMARA QUE CHOVA,
sucesso de Emilinha Borba
lançada em 1950 para o carnaval de 1951,
pode se tornar... hit no próximo Carnaval.

65 anos depois (!),  a dupla Paquito e Romeu Gentil  está atualíssima  na crítica social enfocando a falta d'água, que era crônica e assolava o Rio de Janeiro em 1951 ( que ainda era Distrito Federal!!!) e, agora, bate à porta, novamente, pela incompetência e desleixo.

A letra, aliás, tem um verso que mais atual, impossível:
DE PROMESSA EU ANDO CHEIO.
Que tal?

TOMARA QUE CHOVA  foi lançada no filme Aviso aos Navegantes, um grande êxito nacional, onde Emilinha Borba aparece vestida com uma capa de chuva transparente, cantando a música e trazendo nas mãos um guarda-chuva aberto, acompanhada por um coral, cujos componentes também trazem guarda-chuvas, girando-os ao modo do frevo, numa alusão chanchadeira à clássica cena do filme Cantando na Chuva, protagonizado por Gene Kelly.
A música com Emilinha abocanhou o primeiro lugar no concurso da prefeitura do Distrito Federal, que então existia. 

Clique na imagem abaixo, veja e cante junto pra ficar up to date!





Tomara que chova
Três dias sem parar
Tomara que chova
Três dias sem parar
A minha grande mágoa
É lá em casa
Não ter água
Eu preciso me lavar
De promessa eu ando cheio
Quando eu conto a minha vida
Ninguém quer acreditar
Trabalho não me cansa
O que cansa é pensar
Que lá em casa não tem água
Nem pra cozinhar
Tomara que chova
Três dias sem parar
Tomara que chova
Três dias sem parar
A minha grande mágoa
É lá em casa
Não ter água
Eu preciso me lavar
De promessa eu ando cheio
Quando eu conto a minha vida
Ninguém quer acreditar
Trabalho não me cansa
O que cansa é pensar
Que lá em casa não tem água
Nem pra cozinhar

Em tempo:
Que tal substituir TRÊS dias por... CEM dias?

Estamos precisados!


domingo, 25 de janeiro de 2015

O Pé de Acácia


A amiga do blog Dinéa Silva não nos enviou
um texto, mas imagens, da sua linda acácia, lá da Ilha do Governador,
que são... pura poesia.
Daí, colocar o poema do Professor Hermógenes
que emoldura as imagens com perfeição!




"O Pé de Acácia
                   
Professor Hermógenes
Se eu fosse aquele pé de acácia,
ali na encosta,
exibindo o amarelo agressivo de minhas flores
contra o fundo verde da mata,
sentir-me-ia cheio de prazer
por oferecer abrigo aos ninhos e néctar às abelhas diligentes.
Gozaria, por certo, com o roçar macio do vento,
a tirar sons em meus ramos.
Nem me incomodaria mesmo de acolher algum parasito....
Se eu fosse aquele pé de acácia,
teria gosto de dar sombra ao casal de namorados
mas, sem dúvida, sofreria as dores impostas pelo machado
e ficaria triste com os moleques a matar meus passarinhos...
Mas eu responderia com a nobre impassibilidade de uma árvore.
Se eu fosse aquele pé de acácia,
imóvel, confiante, sereno,
majestosamente sereno,
saberia aceitar o que viesse,
sem lamentar,
sem reclamar,
sem me abater...
Mesmo que o temporal destruísse meus ninhos,
mesmo que as borboletas deixassem de vir ao amanhecer
e minhas folhas murchassem,
mesmo que o estio prolongado e forte viesse queimar-me
e as abelhas, sem encontar sustento, se fossem...
Embora passível de gozar e sofrer,
continuaria uma acácia majestosamente serena
e conservaria sempre a nobreza ereta de uma árvore.
Se eu fosse aquele pé de acácia
saberia aceitar como as coisas são;
não me rebelaria com o inevitável.
Saberia que,
até no mal cheiroso esterco,
energia inefável se manifesta...
e seria minha nutrição.
Acataria os golpes da poda,
a necessária dor para crescer.
Aceitaria os golpes do lenhador
que viesse fazer de mim algo útil.
Renunciaria a ser a pincelada amarela a embelezar a paisagem,
e me deixaria transformar em acha de lenha,
e meu mistério se libertaria em forma de luz e calor
ou viria a servir de esteio a um casebre
e meu mistério se faria abrigo.
Quando chegarei a ter a majestade
daquele pé de acácia
dando vida, beleza, abrigo, amenidade e lição?"

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Guanabara com G

20 de janeiro.
Hoje é dia de São Sebastião. Nosso padroeiro. 

Ao longo da última semana o RIO... que mora no mar vem publicando histórias cariocas que nos contam episódios ouvidos, vividos de vários amigos do blog.

Encerramos essa série com  um poema, de Gil Ferreira, que cala fundo a quem viveu  os tempos da Guanabara saudosa, querida, diferente, garbosa, orgulhosa e orgulho, mas que nos tiraram tão gratuita quanto desnecessariamente.

Como bem já disseram Aldir Blanc e Moacyr Luz ... Brasil, tira as flechas do peito do meu Padroeiro!
 

Leiam e se deliciem!
" Animei-me com a criação da Guanabara... talvez por ter ela “começado certo” – preferências políticas à parte, será difícil apontarmos outra administração comparável à de Carlos Lacerda. 

Mas 15 anos depois - o “début” de nosso Estado – nova tristeza, com a malfadada fusão com o antigo Estado do Rio de Janeiro. 

E por favor, nada contra os fluminenses, que também perderam, quando sua Niterói teve rebaixado o “status” de capital. 

 Queria apenas, como bom carioca, manter aquele lema do “cada um na sua”. 

 E deprimido com a gauchesca decisão de Geisel – o mesmo que mandou demolir o Monroe – veio-me a inspiração, em 1975, de redigir um arremedo de poema – “Guanabara com G” (afinal, meu nome é Gil)– que me pareceu oportuno tentar divulgar 40 anos depois, aproveitando a oportunidade oferecida pelo 450º aniversário da Cidade Maravilhosa (01/03/2015). 

Aí vai ele, pois, para os cariocas, de nascimento ou “adotados”, muitos dos quais sonhando ainda com uma pouquíssimo provável “desfusão”...

"Guanabara com G

Guanabara...Garotas gostosas, guitarras, gelo, gin...
Guanabara...Ginga, gíria, gafieira...Güenta, gaforinha !
Guanabara ganha gente: Gesse, Gal, Gilberto, Garoto, Gil..
Guanabara guia gêge: galinha, garrafa, guimba !
Guanabara gramado...geral...galera, Garrincha, gritos !
Guanabara...Garota gamada...gavião...galhada !
Guanabara gasta: Guandu, goteira, galochas, gasolina, gás !
Guanabara ? Governo garante...
Guanabara garrida, garbosa, gabola, grande, gigante ! Gazela graciosa...gaio gorjeante!
Guanabara gueto...Gentios...GATO ! GALO ! GUAAAAAARRRRDAAAA !!!
Guanabara...Grajaú, Gruta, Gaeta, Galeão, Gasômetro !
Guanabara gaiata, galhofeira...Ginete galopante ! Galãs...gaita...gafe !
Guanabara galáxia ! Gótica ! Gregoriana ! Gongórica ! Guilherme ! Gonçalves ! Gregório ! Gomes !
Guanabara guarani ! Guanabara gozação...gargalhada...
Guanabara Gambôa...Gavetas guardando grampos...
Garis...Galpões...Gangorras...Gamelas...Graxa...Gude...
Guanabara gananciosa...Ganga, gandaia, ganzê, ganzá !
Guanabara galeria...Garçon, garfo, garapa, gorjeta...
Guanabara ? Gargalhada ! Garoa – garganta, gargarejo...
Guanabara garra !
Guanabara...Garanhão golpista...Gaguejou, golpeou, garrucha gatilhou...
Guanabara gastrônoma gulosa: goiabada, graviola, geléia, gelatina,gemada, geladeira...
gastrite, gastrocolite, gastroconjuntivite !
Guanabara gata...gatuna...gaturama...
Guanabara gélida ! Glacial ! Gemente !
Guanabara, geratriz genérica !
Guanabara geniosa ! Gênesis ! Gérmen ! Gineceu !Genitora generosa ! Governanta grisalha ! Gueixa glamourosa !
Guanabara...Glória...Grei...Genuflexão...Galhetas...Graal...
Guanabara genuína ! Gostosa ! Goela gigantesca: gergelim, gengibre, glacê, gororob...
Guanabara guri...gibi, garatuja, garrancho...
Guanabara, girândola gesticulante: ginásio, ginástica, giz, gramática, geografia, geodésia, geometria !
Guanabara girassol, gladíolo, goivo, gardênia, glouxínia !
Guanabara gravura !
Guanabara global: gaúchos, galegos, goianos, gregos, germânicos... Gente !
Guanabara ? Glo – bo – ô ! Guanabara goza...glosa...graceja...
groselha, gargalo, gole, golfada, gosma...
Guanabara granjeia grana, gratificação...
Gurias gratuitas...Graves gerentes...Grinaldas...Gorda gravidez...
Guanabara greladora...Grilada...Guanabara gô-gô !
Guanabara ? Grumari...Guaratiba...Gávea...Gringos grogues...Grotesco gradiente...
Guanabara, Guará ! Guaraná ! Ginger ! Geneal !
Guanabara gare...Garagens...Guarda-freios, Guarda-trilhos, Guardamoria...
Guanabara gorda...Guizos, guinchos guturais...
Guanabara gambiarra: Glauce, Golias, Glauber, Guerra, Gracindo, Gláucio, Guto,
Gigi !
Guanabara Garrincha !
Guanabara, guapa guardiã guerreira ! Guaritas guarnecidas, general !
Guanabara grandiosa ! Guanabara genial ! Guanabara, grato !
Guanabara...GOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLL !!!!!!!!!!!!!!!!!!!   "

Gil Ferreira é autor de  oito livros, dentre  eles o PAIXÕES CARIOCAS, uma coletânea de trinta contos e crônicas, ambientados no Rio de Janeiro, entre as décadas de 1950 e 2000, por meio dos quais o autor revela sua paixão pela cidade em que nasceu e as paixões que nela já viveu, reviveu e ainda pretende viver.
 Livro disponível na AMAZONCLUBE DOS AUTORES, AGBOOK

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A Moça que andava sozinha em Botafogo

O Rio... que mora no mar
apresenta outra saborosa
crônica carioca.
Do amigo do blog,  Paulo Sallorenzo .


" Era década de 1950.
Poucos carros, ruas mal iluminadas e quase desertas, depois da meia noite.
A moça andava sozinha. Sempre.

Bem feita de corpo, elegante porém modesta. Caminhava tranquila, sem rumo, olhando para baixo. E não adiantavam cantadas, assobios ou chamadas. Ela seguia em frente. Sem rumo.Procurava os lugares mais escuros. Atravessava as ruas correndo.
Evitava a aproximação de pessoas.

As vezes parava, encostava a cabeça no muro. Parecia chorar.
Ficava parada até alguém chegar e perguntar se precisava de algo, se estava sentindo alguma coisa.
Daí saia correndo, sem emitir som algum.
Mas numa noite, dessas de luar intenso, um grupo de rapazes resolveu abordar a garota, quando ela passasse pela Rua Sorocaba, perto da Gen. Polidoro. Alí havia terrenos baldios, casas, nada de prédios, só o Mercado  das Flores na esquina e tudo muito mal iluminado. A não ser pela lua grandona.
Os rapazes moravam na Rua São João Batista. Era a turminha das madrugadas. Eles viam a garota passar sem dar a menor bola para eles. E quem sabe se depois de conversar um pouco, rolaria uma curra nos fundos de algum terreno vazio alí mesmo na Sorocaba?
Encontraram a garota na esquina da Rua Mena Barreto, ela caminhava no sentido da Rua Gen. Polidoro. Seguiram de perto, calmamente. Perguntaram se ela queria um cigarro.
Eram quatro rapazes. Dois foram mais a frente e cercaram a garota. Ela parou. Ficou imóvel. Um deles a puxou pelo braço e pode ver seu rosto. Rosto? Não. Ela não tinha rosto. Era descarnado. Olhos saltando como se fossem cair.
Os rapazes correram. Ela saiu caminhando mansamente em direção do muro do Cemitério. E o atravessou.
Essa estória corria solta, quando eu era criança.
Se aconteceu, não importa. Ficou na lembrança.
Virou historia."



Paulo Sallorenzo é fotógrafo, editor da Revista Ilustrada  e do site  Fotografar é preciso