terça-feira, 24 de março de 2015

Curiosidade Carioca

Olhando esse anúncio
de março de 1965, fica no ar a pergunta:

Quem foram os  felizardos que compraram esses dois apartamentos
há 50 anos?




sábado, 21 de março de 2015

100 anos do carioca Haroldo Barbosa

Ele nasceu em 21 de março de 1915. Autor de rádio, TV e sambas-canção, Haroldo Barbosa mereceria todas as homenagens no seu centenário, mas a memória nacional anda desmemoriada.

O jornalista e pesquisador João Máximo escreveu belo texto, que merece aqui ser reproduzido.

" Os 100 anos de Haroldo Barbosa (nasceu em 21 de março de 1915) deveriam ser comemorados ao mesmo tempo pelo rádio, pela televisão, pela música, pelo Rio. O Jockey Club poderia reeditar o prêmio que dedicou a ele após sua morte em 1979. E a boemia inteligente e bem-humorada do carioca – se é que ainda existe – faria sua parte erguendo copos num bar do Centro (talvez o Villarino) para saudar um de seus melhores representantes. Pois Haroldo Barbosa, artista-símbolo de um Rio de Janeiro que se foi, merece tudo isso.
Sua importância não está apenas em ter atuado em tão diferentes áreas (há quem o aponte como nosso primeiro artista multimídia). Nem está em ter feito quase tudo com impressionante qualidade. Uma coisa e outra, evidentemente, contam. Mais vale, porém, a marca que ele deixou em cada uma de suas múltiplas atuações. O humor do rádio e, mais tarde, da televisão, teve nele e em seu principal parceiro, Max Nunes, dois fixadores do gênero. Seus programas na Tupi (”Cidade Alegre”, “Favelinha”) e na Mayrink Veiga (“A cidade se diverte”, “Levertimentos”, “Vai da Valsa”) ajudaram a projetar Sérgio Porto e Antônio Maria como roteiristas e revelaram talentos de comediantes como Chico Anísio. Ao trocar o rádio pela televisão, com passagens pela Tupi e Excelsior, antes de chegar à Globo, Barbosa contribuiu para que a linguagem do humor (antes, apenas sonora) adquirisse cores novas com a inclusão da imagem. Do que são provas “Satiricon”, “Faça humor, não faça a guerra”, “Planeta dos homens”, sempre com a cumplicidade de Max Nunes. Entre as criações de Barbosa ainda reprisadas (e imitadas), está a “Escolinha do professor Raimundo”.
Toda essa formação, porém, vem mesmo do rádio. Nascido em Laranjeiras e criado em Vila Isabel – onde conviveu com Noel Rosa e, mais ainda, com Hélio, irmão mais moço de Noel – Barbosa chegou a atuar como contrarregra do famoso “Programa Casé”. De início, substituindo o irmão, Evaldo Ruy, que ainda conquistaria seu lugar como letrista, parceiro de Custódio Mesquita. No rádio, Haroldo seria praticamente tudo: contrarregra, sonoplasta, redator de publicidade, produtor, discotecário, arquivista, locutor auxiliar de Oduvaldo Cozzi em transmissões esportivas e até cantor. Com o pseudônimo de Harold Brown, e imitando Al Jolson, não durou muito em mais esse ofício. Preferiu ser secretário e braço direito de um cantor de verdade, Francisco Alves, então conhecido como o “Rei da Voz”.
"PRA QUE DISCUTIR COM MADAME"
Nessa época, já estava na Rádio Nacional, onde cumpriria papel fundamental na transformação da emissora na mais importante do país, fenômeno de comunicação na época. Ali, além de discotecário e arquivista, Haroldo Barbosa chegou a escrever e produzir oito programas por semana, mais três novelas e dois humorísticos. Foi um dos criadores de “Um milhão de melodias”, luxuoso musical para lançamento da Coca-Cola no Brasil. Para esse programa, criou perto de 500 versões de música estrangeira. Embora, paralelamente, já tivesse a seu crédito algumas excelentes sambas (“Adeus, América” e “Tintim por tintim”, ambos com Geraldo Jacques; e “Eu quero um samba” e “Pra que discutir com madame?”, com Janet de Almeida; e “De conversa em conversa”, com Lúcio Alves), sua atividade musical nesse período concentrou-se nas versões, a maior parte para o mesmo Francisco Alves cantar em seu programa semanal “A canção romântica”.
Haroldo Barbosa foi muito criticado por fazer tanta versão. Até os músicos da Nacional, Radamés Gnattali, Lyrio Panicalli, Léo Peracchi, reconheciam sua musicalidade. Capaz de criar com o maestro Carioca a fanfarra de metais que anunciava o “Repórter Esso”, de transformar cançoneta francesa em prefixo de César de Alencar, de ajudar a criar o sinal sonoro da emissora (“Luar do Sertão” pelo vibrafone de Luciano Perrone) e de produzir inúmeros jingles, os admiradores achavam que devia se dedicar mais à música brasileira. Ele contra-argumentava: se o repertório de “Um milhões de melodias” era internacional, melhor que fosse cantado bem, em português, do que mal, em outro idioma.
"O PANGARÉ" NO TURFE
De 1950 a 1963, Haroldo Barbosa assinou no Globo uma coluna de turfe intitulada “O pangaré”. Notas e crônicas saborosas, invadindo os bastidores das corridas de cavalo, substituíam as seções tradicionais de palpites. Por muito tempo, segundo sua filha, a escritora Maria Carmem Barbosa, ele se dividiu entre dois meios quase opostos: o do pessoal do rádio e da música, o seu preferido, e o do Jockey Club, onde convivia com “ricos e poderosos”. Dono de oito cavalos, escrevendo sobre turfe, apaixonado pelas corridas, fazia o possível para se sentir em casa. Um dia, um dos ricos e poderosos, o ex-ministro Osvaldo Aranha, convidou Barbosa para um churrasco em seu haras.
– Era o Haras Vargem Alegre, em Barra do Piraí – lembra Maria Carmem. – Fomos todos, papai, mamãe, eu, meus irmãos. Conhecemos o lugar, realmente maravilhoso, mas voltamos sem que papai fosse cumprimentar Osvaldo Aranha. De noite, já deitado, paletó de pijama aberto, ele recebeu telefonema do próprio Osvaldo Aranha, muito zangado por papai ter saído sem falar com ele. Papai ouviu a bronca já de pé, paletó de pijama fechado, como se em posição de sentido diante de um superior.
Longe do Jockey, outro homem: confiante, seguro, consciente de seu valor e com reconhecido poder de sedução sobre os amigos da roda. No Villarino, pontificava. Foi o bar onde Tom virou parceiro de Vinicius – e onde se reunia a boemia vespertina de radialistas, jornalistas, músicos, artistas vários, antes de partirem para a noite da Zona Sul. Trabalhavam todos no Centro. Foi no Villarino que, em 1955, o tricolor Haroldo Barbosa e o rubro-negro Ary Barroso apostaram os bigodes num Fla-Flu. Tendo o Fluminense vencido por 4 a 2, Haroldo não perdoou: ele e a turma foram descobrir Barroso escondido na casa das irmãs Batista e lhe rasparam o bigode.
A boemia vespertina e o turfe o aproximaram do que seria o seu grande parceiro musical nos anos 60, o maranhense Luís Reis, 11 anos mais moço. Além de comentar turfe para a Rádio Jornal do Brasil, onde os cabelos longos valeram-lhe o apelido de El Cabellera, Luiz tocava um piano cheio de bossa e era inspirado melodista. Os sambas que fizeram juntos dizem bem dos dois lados do Haroldo letrista. Por eles, via-se que, por trás do humorista, havia o lírico, o apaixonado.


Se há graça nos versos de “Palhaçada” (“Cara de palhaço, pinta de palhaço, roupa de palhaço...”), “Fiz o bobão” e “Só vou de mulher”, é o amor que faz de “Nossos momentos”, “Canção da manhã feliz” e “Moeda quebrada” alguns dos melhores momentos do samba-canção romântico pós-bossa nova. 
 
NEM DO MORRO NEM GRÃ-FINO
 
A opção por esse tipo de música foi atitude consciente. Barbosa e Reis, que morreria quatro meses depois do parceiro, jamais quiseram fazer sambão, onda que voltava mais uma vez. Muito menos aderir à bossa nova.
 
– Meu pai permaneceu fiel a ele mesmo – opina Maria Carmem. – Não era sambista de morro, de onde vinha o sambão, nem grã-fino da Zona Sul, como a turma da bossa nova.
 
Por ironia, João Gilberto ainda iria se dedicar a um repertório repleto de antigas coisas de Haroldo Barbosa, enquanto este, de braço dado com Luiz Reis, ousava fazer um tipo de canção romântica que os bossanovistas combatiam. Felizmente para todos, as duas bossas coexistiram.
 
Elizeth Cardoso foi a lançadora de quase todas essas canções românticas.
 
Por ser cantora sob medida para elas – e pela amizade que tinha com Haroldo desde o tempo em que Evaldo Ruy era apaixonado por ela. Barbosa jamais se refez da perda do irmão (alcoólatra como o pai de ambos, Evaldo suicidou-se em 1954). Como boêmios, os dois irmãos só não se pareciam no tocante à bebida, sendo Haroldo um consumidor moderado. Mas, embora com estilos distintos, havia muito de paixão nas respectivas letras. Haroldo, como Evaldo, teve muitas mulheres, além da primeira esposa, Maria, mãe de Lucena, Maria Carmem e Haroldinho. Numa entrevista em que conta como fizeram “Nossos momentos” (numa festa barulhenta, entre ruídos de copos e sons de vitrola), Reis disse acreditar que se conhecia Barbosa muito mais pelas canções de amor do que pelas piadas."




sexta-feira, 20 de março de 2015

As revistas do humor carioca

Fon Fon, que se definia assim:  ALEGRE, POLÍTICO, CRÍTICO E ESFUSIANTE.

E marcou época!


Fundada no Rio de Janeiro em 1907. Seu nome era uma onomatopéia do barulho produzido pela buzina dos automóveis.
Tendo como um de seus idealizadores o célebre escritor e crítico de arte Gonzaga Duque, tinha no enfoque dado a ilustração uma de suas principais características. Em 1914 teve a colaboração do pintor Di Cavalcanti . A revista  tornou célebres ilustradores como Nair de Tefé,   e K. Lixto. Tratava principalmente dos costumes e notícias do cotidiano e foi publicada até agosto de 1958.

A Careta  foi uma revista humorística semanal (sempre aos sábados) de elevado padrão gráfico, que circulou inicialmente entre 1908 (Junho) e 1960 (Novembro).
Durou 2.732 edições!
Foi fundada por Jorge Schmidt e teve entre seus colaboradores alguns dos melhores chargistas do país, como Raul Pederneiras e J. Carlos, diretor e ilustrador exclusivo da revista até 1921.




O Malho focava principalmente na vida política do país, a cultura e a crítica de costumes.
Com artigos escritos por Olavo Bilac, Pedro e Emílio de Rabelo, Arthur Azevedo, Álvaro Moreyra e outros mais, em 1930, O malho combateu a Aliança Liberal de Getúlio Vargas, e com a posterior vitória da revolução Getulista, a redação da revista foi empastelada, sede incendiada e a publicação impedida de circular por um breve período. Sobrevive como revista de noticias e literária, de 1935 a 1954, quando sai o último número.



Ano 1, no. 1, reprodução